08 de julho de 2026
Regional

Para PDT, testemunha foi comprada

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Igaraçu do Tietê – O presidente da comissão provisória do PDT, Marcelo Maganha, em entrevista coletiva à imprensa ontem de manhã, contestou o dossiê apresentado pelo prefeito cassado de Igaraçu do Tietê (71 quilômetros de Bauru), Guilherme Fernandes (PSDB). O tucano alegou ter sido vítima de armação “política e teatral”.

Em meio à troca de acusações entre a coligação de Fernandes e a do candidato derrotado nas eleições de outubro, Wamberto Picolli (PDT), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou nova eleição para 29 de março, após a Justiça Eleitoral cassar o registro de Fernandes e do vice Juvenal Aparecido de Melo por suposta compra de voto. Os dois recorreram da sentença que ainda não foi a julgamento no TRE.

Durante a entrevista, Maganha entregou à imprensa uma cópia de um termo de declaração feita por um eleitor à Promotoria de Justiça de Barra Bonita. O pedetista coordenou a campanha do candidato derrotado a prefeito Picolli, da coligação que apresentou as testemunhas, gravações e filmagens da compra de voto na Justiça.

Acompanhado de dois advogados da coligação, o eleitor Paulo César da Silva procurou a Promotoria no dia 18 de fevereiro declarando ter sido procurado pelo candidato derrotado a vereador Gilberto Ramalho dos Santos, conhecido por “Amendoim”, que teria oferecido R$ 750,00 para que assinasse uma declaração pública em Cartório isentando o candidato Fernandes e seu vice de pagarem para obter o seu voto.

Silva negou na Promotoria que tivesse conhecimento do teor da declaração registrada em Cartório.

Ele alegou que apenas assinou o documento a pedido de “Amendoim” e quando chegou ao Cartório o documento já estaria pronto. Ainda segundo o depoimento à Promotoria, Silva teria recebido o pagamento no banheiro do cemitério que fica localizado ao lado do Cartório. Isso teria ocorrido após o documento ter sido lavrado em Cartório.

“Este tipo de conduta de quem faz inserir um documento público, informação falsa para criar fato jurídico relevante caracteriza crime. Em razão disso nós levamos esta pessoa ao Ministério Público. Eu acompanhei e, sem pressão alguma perante autoridade, ele voltou atrás e se retratou. Disse que a sua condição financeira o fez aceitar a proposta de R$ 750,00”, comenta Marcos Roberto de Araújo, advogado da coligação de oposição.

Maganha também questionou o dossiê apresentado por Fernandes à imprensa no dia 12 de fevereiro. “Esse dossiê que foi montado foi feito à revelia da Justiça. Em momento algum este dossiê foi juntado ao processo eleitoral”, diz. No documento, Fernandes alega que a sua cassação foi uma “armação política e teatral” com participação de testemunhas manipuladas pela oposição, que teriam induzido a Justiça Eleitoral a erro.

“Todas as pessoas que me citaram em declarações que não foram feitas no Cartório, ou anexadas ao processo, nós estamos tomando as devidas providências em relação a processá-las. Eu me senti moralmente ofendido. Todas elas vão ter que esclarecer perante a Justiça”, comenta Maganha.

“Sem credibilidade”

Guilherme Fernandes disse ontem que não foi comunicado sobre a mudança do depoimento de Silva à Promotoria. No entanto, ele desqualificou a testemunha, alegando falta de credibilidade. “Eu acho que uma testemunha que vai ao juiz e depois volta no Cartório Eleitoral não merece crédito, não merece respeito, não merece credibilidade. Eu acredito que, provavelmente, eles forçaram que esta testemunha fosse até lá, mas não posso provar”, comenta.

Fernandes também rebateu o comentário de Maganha sobre o dossiê supostamente falso e que não consta do processo. “Essa parte do dossiê é mais jurídica. É lógico que se fosse possível colocar no processo a gente colocaria mas a Justiça Eleitoral é diferente da Justiça Comum. Se pudesse montar este dossiê (a tempo) já estaria na mão da Justiça.”

Segundo o tucano, o processo não está mais em Barra Bonita e o recurso ainda será julgado no Tribunal Regional Eleitoral (TER) em São Paulo. “Tudo o que for possível vamos fazer para que (o dossiê) chegue nas mãos da Justiça”, conclui. O JC não conseguiu localizar Santos para que comentasse o assunto.