09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de Pescador: Uma pescaria complicada


| Tempo de leitura: 3 min

Saímos de manhã para fazer uma pescaria no rio Tietê em um lugar chamado Piaveiro. Fomos na Belina do homem do abacaxi da feira, o pirangueiro Odair, mais eu e o colega Toneti e um amigo do Odair. Chegando lá, deixamos o amigo Toneti no lugar preferido dele, um tal de vagão que ficava numa pedreira, e nós seguimos em frente uns 500 metros, um lugar chamado barranco vermelho.

Pescamos até as 3h da tarde e estava boa a pescaria. Tínhamos pego uma meia dúzia de piapara e muitos lambaris. Aí começou armar um temporal e, com a chuva, ninguém saía do lugar. “Vamos arrumar as traias”, falou Odair. Eu, com pressa, pego a minha vara e coloco a tampa de borracha. Quando vou pegar a linha para enrolar na vara, esta estava com isca ainda no rio, vapt-vupt. Lá se foi minha vara. Não deu tempo para nada.

Arrumamos as traias depressa e fomos até o carro. Aí aconteceu o que a gente não esperava. Odair foi dar a partida no carro e nem sinal dava. Foi deixada a meia luz do painel ligada. Fomos empurrar para ver se pegava e não pegou mesmo. Começou a chover pra valer e nós ali dentro do carro, pensando o que íamos fazer e a chuva caía. Nisso, ouvimos um ronco de carro encalhado na subida. Eu e o Odair fomos até lá e encontramos um Fusca e uma Voyage atolados na lama. Era um barro vermelho que colava na sola da bota. Era difícil ficar em pé.

No Fusca tinham três pirangueiros; no Voyage mais cinco, todos ensopados devido à chuva. Estavam todos alegres da pinga que tinham tomado. No nosso carro, mais quatro. Doze ao todo. O Odair conseguiu a bateria com o dono do Voyage que tirou a bateria do seu carro e foi até a Belina dar uma chupeta. O carro pegou na hora e ficou funcionando uns 20 minutos até carregar a bateria. Um problema resolvido e a chuva deu uma maneirada. Feito isso, unimos as nossas forças para tirar os carros do atoleiro. Primeiro foi o Fusca que estava na frente. Amarramos uma corda para puxar e outra turma foi empurrar. Com muito custo, tiramos o Fusca do atoleiro que era uma subida, para variar. Chegou a vez do Voyage. Foi preciso virar o mesmo de ré e o carro funcionando para ajudar. Daí foi feita a mesma operação e, de metro em metro, conseguimos tirar o carro do lamaçal.

Por fim, foi a vez da Belina. Viramos de ré e, com o Odair no volante, a turma foi puxando e empurrando. O pessoal já estava abrindo o bico de tanto fazer força, mas conseguimos chegar ao fim do morro. Aí chegou a hora de bater papo e apareceu um corotinho de pinga. Todos tomamos. Ficamos sabendo que eles eram de Dois Córregos e lamentamos não ter uma máquina fotográfica para registrar o acontecido. Nos despedimos dos novos amigos lambuzados de lama e talvez nos encontremos outra vez para tomar mais um gole de pinga e não fazer tanta força de novo. Essa aventura foi recente e voltamos a Bauru debaixo de um toró que deu para lavar o carro por baixo, mas, por dentro, o Odair vai contar depois. Êta pescaria complicada, mas valeu, o pescador sofre, mas não aprende. Ele gosta de sofrer.

Florindo Martins, pescador de barranca de rio