11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Nos dez anos do ‘apagão de Bauru', CPFL anuncia reforma de subestação

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

No mês em que se completam 10 anos do maior blecaute da história do País, iniciado aqui na cidade em 11 de março de 1999, a CPFL Paulista anunciou que realizará uma grande obra de ampliação da Subestação Bauru, localizada no Jardim Godoy. Com a reforma, a subestação de energia elevará sua potência de operação dos atuais 50 para 80 MVA (megavolts amperes), e se tornará a maior da cidade.

O Plano de Expansão do Sistema Elétrico (Pese) da empresa prevê investimentos de R$ 15,5 milhões até novembro de 2010. Além do aumento da capacidade da subestação, serão construídas outras três novas redes alimentadoras de distribuição para os bairros, para complementar o trabalho realizado pelas 21 já existentes. De acordo com a assessoria de imprensa da CPFL Paulista, quando for concluída, a expansão será suficiente para suprir o crescimento da demanda da cidade por, pelo menos, cinco anos. Para se ter uma idéia, os 30 MVA a mais são suficientes para atender novas 30 mil residências.

A empresa também informa que as obras darão mais estabilidade ao sistema de distribuição, permitirão uma combinação maior de manobras para isolar trechos e reduzir o número de clientes com falta de energia, com restabelecimento mais rápido em caso de falha no fornecimento. Além da Subestação Bauru, a CPFL possui outras três subestações em Bauru: Hipódromo (que atende a região do Parque Hipódromo e Distrito Industrial), com 50 MVA; Estoril, com 65 MVA e Terra Branca, com 25 MVA.

Para o consultor em energia Carlos Augusto Kirchner, embora o blecaute de 1999 tenha ocorrido por um problema de transmissão de energia (e não de distribuição), o investimento programado pela CPFL garantirá, com maior eficácia, a estabilidade do fornecimento de energia aos consumidores. “Na medida em que a empresa oferece uma folga no sistema, há uma maior segurança operacional em caso de falhas, que são comuns. Tendo uma capacidade acima da demanda, quando houver problemas ela continuará atendendo sem prejuízo para a população”, observa.

Valor expressivo

De acordo com Kirchner, desde o apagão histórico, “investimentos expressivos” foram realizados para minimizar ocorrências semelhantes no País. Na época, uma sobrecarga no sistema de transmissão controlado pelo Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS) deixou 31 milhões de brasileiros em 10 Estados e no Distrito Federal no escuro durante mais de quatro horas.

“Hoje, a possibilidade de um colapso desta proporção acontecer de novo é praticamente nula. O sistema de transmissão evoluiu muito desde então”, afirma, garantindo que o blecaute de uma década atrás teria sido facilmente evitado através de toda a tecnologia de que os sistemas dispõem atualmente.

Entre os avanços obtidos ao longo dos anos, Kirchner destaca as obras de expansão na malha de transmissão elétrica que foram e ainda estão sendo realizadas para acompanhar o crescimento da demanda do País. “Naquela época (1999), por exemplo, não existiam caminhos alternativos suficientes na rede que pudessem escoar aquela sobrecarga. Hoje, esse sistema é bem mais complexo e bem mais seguro”, considera.

Como exemplo dessa melhoria, ele cita o plano de instalação de uma extensão de 2.375 quilômetros de linhas de transmissão, a maior do planeta, que irá ligar Porto Velho (RO) a Araraquara (SP). “As obras de transmissão ganharam uma dinâmica diferente de antigamente. Hoje, se houver necessidade de expansão do sistema, há um leilão e o vencedor ganha uma concessão por 30 anos com receita anual garantida. É bem diferente de esperar que uma concessionária consiga dinheiro para fazer o serviço sozinha”, frisa.

Outro benefício que ele também assinala se refere ao aperfeiçoamento do Esquema Regional de Alívio de Carga (Erac), que protege o sistema em caso de uma queda localizada de energia.

“Quando ocorre um problema, em vez de haver um colapso generalizado, o fornecimento de energia é interrompido apenas para um número limitado de consumidores. Esse sistema está ficando cada vez mais inteligente”, pontua.

Com o aprimoramento dos sistemas de transmissão, o trabalho integrado com as empresas distribuidoras, como a CPFL, e geradoras de energia também foi otimizado.

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Culpa não foi de raio

Segundo relatório divulgado em outubro de 1999 pelo Conselho Regional de Engenharia de São Paulo (Crea), o blecaute ocorrido naquele ano não foi provocado, como chegou a sustentar o Ministério das Minas e Energia, por uma descarga elétrica na subestação da Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp). Após seis meses de investigações, o Crea derrubou a versão divulgada na ocasião de que um raio perfurara um equipamento da subestação de Bauru.

De acordo com o conselho, o responsável pelo apagão foi o Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS), consórcio privado que assumiu o controle da distribuição de energia em 1998, que permitiu que houvesse concentração de cargas no sistema interligado, gerando um efeito dominó de queda de energia. O Crea também relacionou o acontecido à falta de investimentos federais na área de transmissão.