08 de julho de 2026
Cultura

Mãos talentosas

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

A mãe é pianista. O avô, embora não admita o talento, assume gostar de “brincar” com os dedos sobre as teclas do instrumento. Para Denis Rafael Nassar Baptista, a música que corre na veia da família está entre as principais influências por ele ter se tornado o que é hoje.

Recém formado em composição em piano pela Universidade de Campinas (Unicamp) e com apenas 22 anos, dos quais 15 dedicados ao instrumento, o bauruense acaba de retornar de sua primeira experiência internacional. Depois de uma temporada de dois meses no Canadá, foram dois concertos solos - sendo que o sucesso do primeiro foi o responsável pelo convite para o ‘bis’ - e dias ministrando cursos para alunos da região, no teatro de Fort McMurray, em Alberta.

“Foi a primeira vez que toquei fora do Brasil. Ver como as pessoas, de diversas nacionalidades, vibram com a música brasileira é impressionante. É o prazer de sentir como a nossa música é bem aceita”, relata o pianista e compositor. No repertório, arranjos seus para músicas de Tom Jobim, Waldyr Azevedo, Heitor Villa-Lobos e Vinícius de Moraes, entre outros, além de três composições próprias.

As aulas que dá há quatro anos para Sandy, também “salta aos olhos” ao verificar o currículo do jovem pianista. Amigo e colega de curso de Lucas Lima, foi através dele que o bauruense conheceu a cantora. “Das alunas que eu tenho é a mais esforçada. Além do talento, ela dedica-se bastante, principalmente agora que pretende tocar e cantar”, conta. Além das aulas, é o pianista quem assina “Você Sempre Chega”, uma das faixas que a cantora gravará em seu próximo trabalho.

Entre os principais ídolos de Denis, está o canadense Oscar Peterson, lenda do piano no jazz, que faleceu no final de 2007, aos 82 anos. “A sensibilidade dele na hora de tocar, independente da velocidade, é o que mais me impressiona”, conta sobre o pianista conhecido pelas levadas nas duas mãos, pela técnica primorosa e pelos solos velozes. É também em um bauruense que o músico se inspira. “Me encanta como Daniel Magalhães toca a música brasileira”, completa.

Para Denis, o talento, que, ao contrário do avô, admite ter, é sinônimo da facilidade - ou falta dela - em aprender. “Se quiserem, amarem isso, todos podem ser bons pianistas. Para os que têm facilidade, o aprendizado é mais rápido. Para aqueles que não têm muito, têm que empenhar o dobro de trabalho”, acredita.

De acordo com o pianista, o que constrói um bom músico é a capacidade de ouvir. “Tem que ser um bom ouvinte da natureza, dos detalhes e, acima de tudo, amar o que faz”, aconselha. Aliás, foi o que mais agradou o pianista enquanto preparava as crianças para um festival no Canadá. “Elas são sinceras e ainda se deixam levar pela imaginação. Elas sabem ouvir”.

Projetos

Depois da formatura, a viagem traçou os rumos que Denis Nassar buscava para a sua vida profissional. De volta a Bauru, o pianista segue para o conservatório da Unicamp, no próximo mês, onde leciona e, em 2009, retorna ao Canadá, dessa vez para morar.

“Não sei como vou conseguir ficar longe do Brasil, por mais que a minha mãe esteja morando no Canadá. Mas é justamente por esse amor ao País que quero divulgar a nossa musicalidade”, comenta.

Até janeiro do ano que vem, o pianista tem a missão de desenvolver 11 livros de partituras, voltados para diferentes níveis de aprendizagem, sob encomenda da Associação de Professores de Alberta. Além de, quando se mudar para a cidade, ministrar uma disciplina em uma universidade local.

“A minha maior realização agora é continuar tocando, ensinando e compondo, dando continuidade a minha pesquisa dentro da composição contemporânea”, almeja. “O principal motivo de tocar e compor é poder expressar a felicidade que eu conheci por meio de Jesus”, completa o pianista, que deu início ao seu aprendizado tocando em igrejas.