10 de julho de 2026
Bairros

Bauru está infestada de Aedes, mas não há casos de dengue

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru não tem nenhum caso de dengue registrado neste ano, mas 61 pessoas sob suspeita da doença aguardam resultados de exames e a cidade está infestada do mosquitos Aedes aegypti, que transmite a doença. Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que neste ano mais de 110 pessoas já passaram pelo atendimento médico com suspeita de estarem com a doença. De acordo com o programa de combate à dengue na cidade, o Jardim Araruna é o bairro onde mais fêmeas do inseto foram encontradas (veja quadro ao lado).

Em 2007, parecia que a dengue estava fugindo do controle em Bauru. Naquele ano, foram registrados 2.131 casos da doença na cidade, 86 só no primeiro bimestre. Em 2008, o número caiu. Foram reportados à Secretaria Municipal de Saúde 146 casos durante todo o ano, sendo 49 em janeiro e fevereiro.

De acordo com Kelly Cristina Jacinto Mercado, coordenadora do programa de controle da dengue em Bauru, apesar de não ter sido constatado nenhum caso da doença na cidade, o mosquito continua se reproduzindo a todo vapor. “A gente sabe que há infestação em toda a cidade. O que não temos é o vírus circulando”, explica.

A coordenadora explica que apesar da infestação, o combate ao mosquito está mais eficiente. “Antes seguíamos um itinerário para a varredura. Hoje, conseguimos ir diretamente onde há mais foco e realizar as medidas”, diz. Isso é possível por conta dos dados coletados no monitoramento inteligente da dengue. São armadilhas distribuídas pelos bairros de Bauru, que atraem e coletam as fêmeas do Aedes em todos os pontos da cidade.

Todas as semanas as armadilhas são checadas e a equipe de controle é direcionada aos locais com maior infestação. “Agimos de maneira direcionada e pontual. Fazemos uma atuação num raio de 200 metros dos focos”, diz Mercado.

Ela pondera que, apesar dos números positivos, esse período é o mais propício para a propagação da doença. “Muita gente viajou a outros Estados durante o Carnaval e pode ter trazido o vírus para Bauru”, diz. A coordenadora também destaca que o calor, umidade alta e as chuvas das últimas semanas aceleraram a procriação do mosquito.

“As fêmeas aproveitam a chuva abundante e a umidade para colocar muitos ovos. E neste calor, as larvas eclodem mais rápido”, destaca. De acordo com Mercado, a eclosão leva metade do tempo que levaria no inverno.

Dos 110 casos suspeitos de dengue comunicados à Secretaria Municipal de Saúde, apenas 61 continuam sem confirmação - os demais foram descartados. Mas o ritmo das comunicações aumentaram. A média era de quatro a cinco casos contabilizados a cada dois dias. Segundo Mercado, na última contagem, foram 18. “A cada caso suspeito, vamos até o local e fazemos o bloqueio e controle de criadouros num raio de 200 metros”, afirma.

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Bacia ‘antidengue’

A Associação Nacional dos Inventores (ANI) divulgou a criação da bacia com furo antidengue, invento da representante comercial Elaine Stefano. Durante uma reunião de condomínio, Elaine pensou em um produto que ajudasse os moradores a combater o mosquito da dengue. Ela havia limpado uma bacia e recolocado na área de serviço, emborcada, a fim de evitar acúmulo de água da chuva em seu interior.

“Para minha surpresa, havia água acumulada na alça da bacia, servindo de ninho para as larvas do mosquito. Percebi que as alças e bordas de baldes, bacias e similares servem de reservatório de água, propiciando a desova do Aedes aegypti. Nesse momento, tive a idéia de furar as alças e bordas do recipiente, o que finalmente resolveu o problema”. Stefano patenteou a invenção e aguarda o interesse de algum fabricante.