08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Irretocável


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Tenho cabelos louros, pintados, para esconder os fios brancos. Não me lembro exatamente em que ano eles começaram a branquear... Tenho algumas rugas em volta dos olhos, também não me recordo quando elas começaram a aparecer. Tento disfarçá-las. São tantas as novidades no campo da dermatologia que achei por bem aproveitá-las.

De uns anos para cá, descobri os cremes e aí compro um aqui outro ali e vou passando e percebo que as rugas se retraem. Sou assim, vaidosa, mas não sou em excesso. Penso que sou na medida certa, na medida correta para uma mulher. Enfim, os anos passam e as marcas que eles deixam em nós não temos como conter. Nem pretendo isso. Do corpo, quase não cuido, só recentemente entrei para uma academia por ordem médica.

Ele me disse que, na minha idade, preciso de exercícios. Das minhas unhas cuido semanalmente. Penso que elas são uma porta de visita. Unhas maltratadas causam uma péssima impressão. Acho que cada marca que meu corpo carrega tem uma linda história. Às vezes, me pego na frente do espelho descobrindo uma nova ruguinha e já me coloco a pensar o que a causou. Depois, reencontro com outra que já está lá vincada há anos e me recordo que ela apareceu quando perdi um grande amor.

Poderia enumerar também a história de cada fio de cabelo branco. Foram filhos, marido, amigos, que colocaram eles ali. Não quero me desfazer de nenhuma dessas marcas, apenas amenizá-las. Acho que mereço isso. A vida me deve isso. Atualmente, a parte que merece mais atenção minha tem sido a cabeça.

Tento, todos os dias, colocá-la no lugar, equilibrá-la, alimentá-la com sonhos e alegrias. Corpo e mente caminham juntos. Se um estiver em estado lástimavel, o outro provavelmente vai se deteriorar. Não escondo minha idade, não adiantaria falar que tenho 40 anos e apresentar uma filha de 30 anos. Portanto, eu confesso: tenho 68 anos.

Metade deles bem vivida; a outra metade muito sofrida. Mas é exatamente aí que está o encanto de minha idade. Conheci de tudo um pouco,das lágrimas aos sorrisos e amigos me fizeram ser uma pessoa que sou hoje. Ficaram as rugas no rosto e na alma, mas também ficaram sorrisos em ambos.

Minhas rugas mais bonitas são aquelas marcas de expressão que eu adquiri por tanto sorrir, muitas vezes, quando o coração chorava.

Laura Costa