Nada de esconder os pensamentos em seus “queridos diários”. Com a chegada dos blogs - espécie de diário eletrônico -, muitas mulheres querem mais é dividir suas idéias na Internet. Nela, expõem angústias da vida pessoal, problemas do trabalho, discutem política, compartilham a maternidade e todos os assuntos que “derem na telha”.
Para a paulistana Mariana Mello, 28 anos, mais do que o cantinho das suas idéias, o seu blog funciona como a entrada da sua casa. Com a criação de “Brincando de Casinha” (brincandocasinha.blogspot.com), a jornalista decidiu, literalmente, abrir as portas da sua morada e dividir com todos desde problemas de reforma a dicas de decoração.
Segundo a jornalista, o blog nasceu da necessidade de escrever sobre coisas que não estivessem relacionadas com o seu trabalho. “Comecei a trabalhar em casa e este se transformou em um universo que eu passei a prestar mais atenção. Então decidi montar o blog”, conta.
Criado há pouco menos de um ano, “Brincando de Casinha” restringia-se, a princípio, a dicas de decoração e dúvidas “caseiras” da jornalista. “Foi quando eu e meu namorado decidimos comprar um apartamento maior e encarar uma reforma que o blog se transformou no que ele é hoje”, lembra.
Mariana decidiu compartilhar com seus leitores cada etapa do processo de composição da nova casa. No blog, é possível encontrar a jornalista em meio aos entulhos e “quebradeiras” de paredes, ou até acompanhar a escolha da cor das tintas. “Virou meio novela das oito, as pessoas estão acompanhando a história. E está sendo legal ver como muitas delas têm as mesmas dúvidas que eu. E essa troca é fantástica”, considera.
Hoje, com uma média de 25 mil acessos por mês, principalmente de leitoras que estão montando a primeira casa, Mariana conta que é comum receber fotos e dúvidas sobre os lares alheios. “Eu sempre respondo, mas toda hora eu fico lembrando as pessoas que não sou profissional. Dou minha opinião de leiga, deixo claro isso”, comenta.
Segundo a jornalista, o grande papel do blog é fazer as pessoas olharem para casa com um pouco mais de carinho. “A intenção é fazer as pessoas desenvolverem esse olhar e a vontade de curtir a sua casa”, espera.
Para Mariana, muitas vezes, as revistas de decoração estão distantes da realidade das pessoas. “Eu sinto que muitas dessas publicações não conversam com esse público. As pessoas olham e pensam: minha casa nunca vai ser desse jeito. Seria maravilhoso se todas as mulheres pudessem contar com um decorador, mas como não podemos, para a casa ficar mais gostosa depende de poucas coisas. É só usar a criatividade que não vai gastar muito”, aconselha.
Com o fim da reforma previsto para daqui três ou quatro semanas, mariana pretende fazer um open house virtual para todos poderem conferir o resultado. a jornalista garante ainda que a página não irá morrer com o apartamento pronto. “eu cheguei até a me questionar: qual será o caminho quando a reforma acabar? mas depois dela tem que decorar tudo, comprar os móveis. além disso, gosto muito de abordar a questão de receber as pessoas e como fazer com que elas se sintam à vontade na sua casa. ou seja, tem ainda muito pano para manga”, brinca.
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MÃE E FILHA
Foi ajudando a filha de 6 anos a construir seu “diarinho” virtual que a bauruense Mara Fernanda de Santi, 31 anos, resolveu ter o próprio blog. Criado há seis meses, a página é um espaço para a jornalista expor suas reflexões, falar coisas do dia-a-dia ou ainda discutir os assuntos que ganham destaque na mídia.
“Eu gosto muito de escrever e estava sentindo falta desse exercício de escrita e de me expressar”, conta a jornalista sobre a motivação de seus posts, escritos duas vezes por semana, em média. Já para a filha Bárbara, Mara acredita que a atividade seja importante para desenvolver a relação da criança com a mídia eletrônica, além da facilidade de expressão. “Ela escolhe as fotos, me dita ou ela mesma digita os textos e essa troca é bem divertida. Além de tudo, sinto que é muito prazeroso para ela”, considera. Os endereços dos blogs de Mara e Bárbara são, respectivamente: espacejamentos.blogspot.com e barbarafadinha.blogspot.com.
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Para professor, blogs perderam caráter ‘diário’ e estão mais especializados
Trancafiado à chave e amigo íntimo da maioria das mulheres, o diário de papel deu lugar aos blogs com a chegada do mundo virtual. Com ele, desabafos, angústias e experiências antes escondidos passaram a ser lidos e comentados pelo mundo inteiro.
No entanto, para o jornalista e professor da Universidade do Sagrado Coração (USC) Sandro Paveloski, apesar de ter sido com essa função primordial que o blog ganhou a rede e caiu no gosto popular, a concepção de diário virtual ficou para trás. Os blogs femininos, não diferentes, acompanharam essa tendência, ultrapassando o tempo das páginas mais intimistas.
“O blog perdeu um pouco essa função e obrigação de ser diário. Hoje, ele é muito mais especializado. As pessoas usam um blog por ser uma ferramenta fácil e democrática, como um canal de comunicação específico com seus públicos, amigos e rede de contato onde compartilham seu conhecimento sobre determinado assunto”, considera.
De acordo com Paveloski, outras ferramentas que foram surgindo, como as redes de relacionamento, acabaram por substituir o blog na função de ser diário. “A idéia daquele blog sem estrutura, criado para desabafar, apenas porque eu quero contar sobre a minha vida, essa concepção já foi. Hoje é muito mais fácil você encontrar pessoas compartilhando sentimentos, aflições com seus amigos em uma mídia social como o Orkut do que em um blog”, aponta.
Paveloski ministra a disciplina teorias da comunicação para os cursos de jornalismo e publicidade e assina o blog WWW.WEBTOC.COM.BR.
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Amigas trocam dicas em seus fotoblogs
Denise Joaquim tem 45 anos e é bancária. Maria Scaglione, 29 anos, é fotógrafa. Já Márcia Malmström, 42 anos, é dentista. O que une essas três mulheres, que apenas aparentemente não tem nada em comum, é a paixão pela fotografia e seus fotoblogs.
Integrantes do “Focopoint”, um grupo de fotógrafos de Bauru, as três amigas descobriram na Internet uma forma de compartilhar as experiências e dicas sobre seus “clicks”. Além dos seus encontros semanais, o grupo estabeleceu por meio do fotoblog, criado há dois meses, outro canal para trocar informações.
“Cada uma tem a sua página, assim como cada integrante do grupo. Lá, analisamos e damos opiniões sobre o trabalho um do outro, deixando dicas e as nossas percepções das imagens”, conta Denise. “É também uma forma de conhecer outras pessoas e acrescentar um prazer a mais ao fotografar: a publicação”, completa Márcia.
No caso da bancária, a criação do fotoblog a aproximou não apenas das amigas e da fotografia, mas também de uma ferramenta que ela pouco explorava: a Internet. “Antes, eu usava muito pouco, mais no trabalho mesmo. Depois que eu criei meu fotoblog é até uma briga para usar o computador em casa, virou um vício”, brinca.
Já para Maria, fotógrafa profissional há sete anos, o fotoblog é uma das maneiras mais práticas para divulgar seu trabalho. “Eu uso principalmente com essa intenção, mas não publico apenas fotos profissionais. Desde viagens, fotos mais caseiras ou outras imagens que eu faço para mim, eu acabo colocando para que as pessoas conheçam”, explica.