08 de julho de 2026
Ser

Dança é um ritual de entrega

Neide Carlos
| Tempo de leitura: 3 min

No Dia Internacional da Mulher, a discussão gira em como exercer vários papéis na sociedade sem perder a essência feminina, uma essência que, geralmente, não é a mesma para todas as mulheres.

Vindas do Oriente, a dança do ventre e a dança indiana invadiram as novelas em horário nobre e despertaram a curiosidade das pessoas - a primeira vez em “O Clone”, de 2002, e a segunda na atual trama das oito, “Caminho das Índias”. Modismo ou não, a beleza dos gestos marcantes, do olhar envolvente e dos pés descalços carregam artes milenares e expressam sentimentos. O ritual da dança envolve preparação e entrega. O momento de se vestir, se enfeitar e se pintar é só o início desse ritual que transforma a beleza da bailarina em algo único.

Embora tenham tradições distintas em suas origens, tanto a dança do ventre quanto a dança indiana proporcionam o autoconhecimento e a consciência corporal. “É necessário ter domínio sobre o próprio corpo e suas potencialidades”, comenta Karina Valentin, professora de dança do ventre. Aspecto também ressaltado pela bailarina de dança indiana Naira de Almeida Prado, que está na abertura da novela de Glória Perez.

Nascida nos templos e com caráter religioso, a dança clássica indiana é praticada por homens e mulheres e narra histórias através de gestos que são chamados de mudras. Segundo o bailarino Ally Hauff, que estuda o estilo clássico odissi há mais de dez anos, é uma mistura de teatro com mímica e dança. “É através da linguagem de sinais que você se comunica com o público”, afirma.

Já o bhangra, estilo dos filmes de Bolywood, o cinema indiano, e da trama de Glória Perez, é a dança popular da Índia. A sua base é clássica, mas sem caráter religioso e com roupagem moderna influenciada pela cultura ocidental. Nesse estilo, mudam a vestimenta, a música e os movimentos. Segundo Naira, a dança clássica exige muita consciência do corpo e da força interior. “Esta também é uma arte que traz benefícios como o fortalecimento interno dos músculos das pernas e dos braços, a melhora da postura e da capacidade de concentração”, ressalta.

A dança do ventre é uma arte feita por mulheres para mulheres. O seu método de ensino trabalha a dificuldade e os limites de cada pessoa. Segundo a professora Karina Piazentin, o processo de aprendizagem é pessoal, considerando que cada mulher é única. Para Márcia Nuriah, esta é uma manifestação artística que ensina que o corpo é importante e o que se faz dele é sagrado. “Através da dança do ventre é possível descobrir que o corpo pode ser um instrumento de expressão dos sentimentos”, afirma Nuriah. Além disso, a prática desta atividade também promove a correção da postura, a consciência corporal e a aceitação do próprio corpo, melhorando a auto-estima.

Conversamos com três mulheres e mostramos, através de um olhar feminino, a capacidade transformadora da arte oriental. Karina Valentin, Márcia Nuriah e Karina Piazentin representam aqui a beleza feminina conquistada através da dança.