09 de julho de 2026
Bairros

Sem receios, moradores apreciam a tranqüilidade de residir próximo a cemitério

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 2 min

Aquele velho receio de residir próximo a cemitérios parece ter ficado no passado. Ao contrário, a tranqüilidade das proximidades do Cemitério da Saudade é a principal vantagem apontada pelos que moram na localidade.

Faz 54 anos que a professora aposentada Cleonice Bolineli mora em frente ao cemitério na rua Monteiro Lobato. De acordo com ela, a única coisa que a incomoda é o lixo que é depositado, por moradores, nos arredores e até mesmo dentro do cemitério. “O poder público não faz a limpeza necessária e alguns vizinhos não colaboram com a manutenção. Quanto ao cemitério, não tenho receio algum, gosto de morar aqui”, diz.

Moradora da rua Hermínio Pinto, também próxima ao Cemitério da Saudade, dona Auzira de Goés tem boas lembranças desses 46 anos em que vive do outro lado da rua, na entrada do cemitério.

“Muitas vezes, tive que levar escadas e cadeiras para as pessoas que ficavam presas dentro do cemitério, quando os portões eram fechados. Então, eu ia até lá socorrer. Isso era engraçado e sempre acontecia”, lembra a aposentada.

As saudades da moradora são muitas. Quando comprou a casa, ela levou em consideração a proximidade com o Centro da cidade e o sossego da rua, que na época era apenas residencial. As crianças correndo, empinando pipas, tudo era permitido nos anos em que seus filhos eram crianças. “Hoje, a rua tem muito movimento e comércio, mas, ainda assim, não saio daqui”, afirma.

Quando a reportagem perguntou sobre a tristeza diária que dona Auzira vê com os enterros, a sabedoria dela respondeu à pergunta: “A tristeza não é entrar no cemitério e sim sair de lá, ela vem com as pessoas que saem. Mas já me acostumei com os rostos tristes dessas pessoas, afinal, essa é a vida e ninguém está livre disso”.