08 de julho de 2026
Internacional

Cristina Kirchner quer antecipar eleições

Folhapress
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Buenos Aires - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou ontem a intenção de antecipar em três meses, para o dia 28 de junho, as eleições legislativas marcadas para outubro, devido à crise e a “um mundo que está desabando”.

“Seria um suicídio impor à sociedade um debate permanente até outubro, em um momento em que o mundo está desabando e pode nos levar junto em sua queda”, declarou Cristina Kirchner em um discurso em Rawson, na Patagônia (sul).

Nestes tempos de crise, “precisamos de um clima tranquilo, não de um clima eleitoral”, argumentou a presidente, informando que um projeto de lei seria apresentado ainda ontem para antecipar as legislativas para o dia 28 de junho.

Críticos disseram que a presidente pretende mudar a data das eleições por medo de que seus aliados no Congresso sejam derrotados, com o agravamento dos efeitos da crise sobre a terceira maior economia da América Latina.

“Eu acho que eles fizeram isso porque temem que o impacto da crise global seja maior em outubro do que é no momento”, disse a analista política Graciela Romer.

O partido governante tem a maioria atual no Congresso, mas um grande número de figuras de destaque tem mudado para o lado da oposição nos últimos meses. “Mudar as leis eleitorais e a data só porque o governo pode ser enfraquecido não parece correto para mim”, disse o senador Ernesto Sanz, do partido Radical.

Muito popular em dezembro de 2007 depois de sua eleição, Cristina Kirchner viu sua popularidade desmoronar de 55% para 30% devido principalmente a sua posição intransigente com os agricultores entre março e julho de 2008.

A ex-primeira-dama também teme as consequências eleitorais de um novo confronto com os agricultores. Depois de um acordo parcial abaixando as taxas sobre o leite, a carne, o trigo e o milho, os agricultores convocaram novas manifestações e bloqueios de estradas para protestar contra as taxas de exportação sobre a soja.

As exportações argentinas caíram 36% em janeiro em relação ao ano passado, e a produção de automóveis registrou uma queda de 55% entre fevereiro de 2008 e fevereiro de 2009. Os preços das matérias-primas e dos produtos agroindustriais argentinos caiu 20% a 40% em relação a 2008.

Metade das 256 cadeiras da Câmara dos Deputados e um terço das 72 cadeiras do Senado estão em jogo nestas eleições legislativas.