Em conversa com consumidores que circulavam por entre as gôndolas de supermercados com seus carrinhos de compra na semana passada, a reportagem notou que o caminho mais comum percorrido por eles obedece ao roteiro criado pelo próprio estabelecimento. Isso significa que poucos têm o costume de deixar os alimentos congelados e refrigerados por último. Além disso, observando a composição do carrinho, deu para perceber que nem todos também tomam o cuidado de poupar alimentos frágeis do peso de outros produtos.
No carrinho da auxiliar de enfermagem Lucinéia Rocha, por exemplo, alguns cachos de uva estavam “sufocados” debaixo de produtos mais robustos. Questionada pela reportagem, ela admitiu que não tem o costume de formar uma “base” com produtos mais pesados, antes de colocar os mais leves.
Além disso, ela não leva lista de compras, o que traz mais prejuízos. “Por não ter o costume de trazer lista, sempre compro coisas supérfluas, coisas que não estou precisando e que não vão me fazer falta”, revela. Conclusão: Lucinéia conta que, por diversas vezes, perdeu produtos porque achou que daria conta de consumi-los, mas não o fez. “Eu sei que não deveria fazer isso, mas acabo fazendo”, reconhece. Quando vai às compras com fome ou com a filha de 9 anos, o desperdício é ainda maior.
A educadora física Neiva Regina Sadovski Gambetti diz que sempre tem a preocupação de separar produtos leves dos pesados, mas o roteiro de compras segue a ordem das gôndolas. “Eu começo comprando frutas e verduras e depois vou pegando os demais produtos seguindo a seqüência das prateleiras.”
O mesmo “roteiro” é seguido pelo representante comercial Anderson José Tostes e a namorada dele, Vanessa Aparecida Pavon. Eles começam pelo setor de hortifruti e seguem o percurso até o setor de bebidas. Se por um lado, eles não se preocupam com os produtos que estão “derretendo” no carrinho enquanto fazem a compra, por outro, sempre procuram tomar cuidado para não perder alimento por excesso de peso em cima. “Normalmente, procuramos colocar os alimentos perecíveis por cima e aqueles mais resistentes, que agüentam peso, por baixo.”