08 de julho de 2026
Geral

Chefe do posto da Funai é chamado de ‘papaizão’

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

O período em que viviam tutelados pelo Serviço de Proteção ao Índio - SPI, posteriormente substituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai) - foi crucial para definir a forma de pensar e de agir dos moradores da aldeia “Índia Vanuíre”, em Arco-Íris, região de Tupã (182 quilômetros de Bauru).

Nos tempos de SPI, o responsável pelo posto indígena local era visto como uma espécie de delegado. Contava, inclusive, com uma “polícia” que atuava no âmbito da aldeia. Quem desrespeitasse as regras era mandado para uma cadeia, instalada próximo à residência do chefe.

Com a extinção do SPI e a criação da Funai, o chefe deixou de ditar os rumos para os índios. Por outro lado, eles ainda sentem uma certa dificuldade em caminhar com as próprias pernas.

“Eles costumam me procurar a todo instante: para falar dos problemas conjugais, para reclamar que alguém abusou do álcool, para pedir conselhos”, afirma o atual chefe do posto da Funai, Luís Gonzaga de Almeida Santos, conhecido com “papaizão” pelos caingangues.

Ele conta que, dez vez em quando, costuma ser procurado pelos índios até para realizar casamentos. “Explico a eles que a cerimônia oficial precisa ser feita no cartório, na presença do juiz de paz. Mas como eles insistem, acabo fazendo uma celebração informal, só para deixá-los satisfeitos”, afirma Luís Gonzaga.

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Caingangues

Os caingangues são naturais da região Sul do Brasil. Seu idioma pertence ao grupo lingüístico jê, do tronco macro-jê. Até a metade do século 19, ocupavam vastas áreas entre o Oeste Paulista e o norte da Argentina. Atualmente, estão distribuídos em 30 áreas reduzidas, espalhadas entre os Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Hoje em dia, sua população é de 29 mil pessoas, segundo estimativas da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Na aldeia “Índia Vanuíre”, em Arco-Íris, existem cerca de 25 indivíduos caingangues “puros”. O restante está miscigenado com krenaks e terenas. Cerca de 200 índios vivem no local.