Os recentes problemas do sistema de distribuição de água evidenciam a necessidade da realização de algumas melhorias. Segundo Éric Fabris, engenheiro civil e ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) a interligação e a setorização dos sistemas de distribuição de água poderiam melhorar de forma efetiva a questão da falta d’água.
Fazer a interligação dos sistemas de abastecimento significa ligar todos os 30 poços e a captação do rio Batalha. Isto minimizaria os efeitos de uma crise, como aconteceu no poço do Distrito Industrial 3. Lá, o DAE aumentou uma adutora de emergência e mandou água de poço do Núcleo Gasparini para a área atingida. Além disso foi feita uma interligação com o sistema do Instituto Penal Agrícola (IPA). Se a interligação pré-existente estivesse adequada, outros poços poderiam mandar uma determinada quantidade de água para a região afetada e todos sofreriam menos com o problema.
Segundo Fábio Randi, diretor da Divisão de Produção do DAE, mais de 80% da rede está interligada. “No entanto, em alguns locais, esta interligação é precária. Estamos melhorando as tubulações existentes e pretendemos integrar toda a rede. Trata-se de uma providência extremamente necessária”, explica ele.
Fabris também atenta para essa precariedade. “Hoje, Bauru tem uma interligação parcial dos sistemas. Além disso, deve-se averiguar a eficiência disso. Creio que cerca de 40% a 50 % da interligação atual da cidade seja eficiente”, pondera.
A setorização, por sua vez, seria a divisão da rede de abastecimento em trechos menores para melhorar a administração e diminuir os efeitos de um eventual problema em alguma unidade. Segundo Fabris, “ela visa principalmente dividir os setores altos e baixos de abastecimento da cidade para que em um momento de falta de água não haja grandes prejuízos para nenhuma região”.
Randi explica que trata-se da reorganização do caminho das águas. “Vamos dividir o sistema em setores com no máximo 80 km de tubulação”, diz. Dentre as vantagens assinaladas por ele estão a melhor pressão da água, a diminuição das perdas, a simplificação da administração e a melhoria na distribuição.
De acordo com informações do DAE, há regiões onde a setorização já foi implantada. Há também projetos de novos setores e alguns em manutenção. “Hoje há setores bem organizados, mas há outros que precisam ser reorganizados. O custo é muito alto, por isso a realização das obras será feita em etapas”, explica Randi.
Embora a setorização e a interligação sejam obras caras e de pouca visibilidade, Randi e Fabris concordam que devem ser consideradas medidas prioritárias. “Como o sistema de abastecimento de Bauru é bom, você só sente falta da setorização e da interligação em um momento de crise”, ressalta.