A captação de água do município de Bauru provém 42% de águas superficiais, mais especificamente do rio Batalha, e 58% de águas subterrâneas retiradas do Aqüifero Guarani e do Aqüifero Bauru. Isto proporciona uma capacidade de distribuição de três bilhões de metros cúbicos de água por mês.
A água retirada do Batalha percorre um longo caminho até chegar às casas. Ela sai do rio por meio de sucção e é levada por bombas até a estação de tratamento, onde recebe a adição de produtos químicos para deixar as águas nos padrões para ser consumida. Depois de tratada ela vai para os reservatórios e só então é distribuída à população. O Batalha atende, principalmente, a demanda do Centro e de partes das regiões sudoeste, leste e noroeste.
Já a água proveniente dos 29 poços perfurados na cidade, que retiram água do Aqüifero Guarani, e do poço localizado no distrito de Tibiriçá, que retira água do Aqüífero Bauru, faz um roteiro um pouco diferente. Ela é retirada dos poços por meio de bombas e lançadas em reservatórios onde recebem cloro e flúor. Em seguida elas são enviadas até as casas e prédios.
Éric Fabris, engenheiro civil e ex-presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) acredita que a cidade é privilegiada. “No geral, Bauru tem um bom sistema de captação de águas e o abastecimento por poços é muito conveniente”, relata.
Para ele, o abastecimento por poços diminui a possibilidade de um grande colapso no sistema de águas. “Neste sistema, quando você tem uma falha na distribuição, não tem colapso de uma área muito grande. Se houvesse alguma falha de abastecimento no sistema Batalha, cerca de 40% da cidade teria problemas e não cerca de 2% ou 3% como temos hoje devido ao ocorrido no poço do Distrito Industrial 3”, explica.
O rio Batalha
O rio, que pertence à Bacia Hidrográfica do Médio-Tietê, nasce na Serra da Jacutinga, no município de Agudos. Ele passa pelas cidades de Piratininga e Bauru. O Batalha segue em direção noroeste passando por Avaí, onde se desvia para o norte e atravessa Reginópolis até desaguar no rio Tietê no município de Uru. Todo o seu trajeto tem cerca de 115 quilômetros. Além de fornecer água para a cidade, o rio é um marco geográfico, pois determina o limite de município entre Bauru e Piratininga.
Boa parte da vegetação das margens do rio foi desmatada e por isso o processo de erosões e de assoreamento – isto é, acúmulo de sedimentos, como areia no fundo de rios, o que pode ocasionar a redução de sua profundidade - é marcante. Em 1996, foi aprovada a criação da APA - Área de Proteção Ambiental do Rio Batalha, uma nova área de preservação com a finalidade de facilitar a recuperação deste rio. Neste mesmo ano foi fundada uma nova organização não governamental com a finalidade de recuperar, estudar e preservar o rio, o Fórum Pró-Batalha.
O Aqüífero Guarani
Aqüífero é uma formação geológica que pode armazenar água no subsolo. É utilizado pelo homem como fonte de água para consumo.
O Aqüífero Guarani, nomeado pelo geólogo uruguaio Danilo Anton em memória do povo indígena da região, é a maior reserva subterrânea de água doce do mundo. Ele ocupa uma área total de 1,2 milhão de km2 sob os territórios do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Sua área equivale aos territórios de Inglaterra, França e Espanha juntas. A maior parte do aquífero está em território brasileiro (2/3 da área total) abrangendo os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
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Qualidade exemplar
Os bauruenses não precisam ter medo de contrair doenças ao beber água da torneira. A água que chega às casas é totalmente potável graças a um eficaz sistema de tratamento e a um rigoroso controle de qualidade.
“Só o processo completo de tratamento é capaz de tornar a água que sai do rio Batalha própria para o consumo”, explica Márcia Zanatta, responsável técnica da Estação de Tratamento de Água (ETA) da cidade.
Cerca de 47,5 mil metros cúbicos de água provenientes do rio Batalha são tratados pela ETA diariamente. Assim que a água chega à estação, ela passa por tonéis onde recebe três produtos químicos: carvão ativado, que retira o gosto e o odor; cal, que ajuda regular a acidez; e sulfato de alumínio, que colabora na eliminação da sujeira.
Em seguida, a água passa por uma série de tanques que farão a limpeza do líquido. No primeiro deles, a sujeira se aglutinará e formará flocos. No segundo, estes flocos ficarão depositados no fundo do tanque. No terceiro, a sujeira fica retida e a água é filtrada. Por fim, a água recebe a adição de cloro e flúor para eliminar possíveis bactérias e prevenir a ação de cáries nas crianças, respectivamente.
No caso dos poços, o tratamento é um pouco diferente. “A natureza se encarrega da limpeza desta água, pois as várias camadas do solo que o líquido tem que atravessar até chegar no aqüífero vão fazendo a filtragem. O trabalho do Departamento de Água e Esgoto (DAE) é apenas adicionar cloro e flúor. Isso é feito na saída do poço ou nos reservatórios”, diz Zanatta.
Além do tratamento, para garantir água de melhor qualidade nas casas, o Laboratório de Análise da Água, também localizado na ETA, faz testes em 245 amostras retiradas de toda a rede. São feitos também testes de duas em duas horas na saída da estação. As análises seguem os parâmetros estabelecidos nas normas da Portaria do Ministério da Saúde nº 518 de 2004 e na resolução Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) 357 que determinam verificações diárias de cor, turbidez, acidez, cloro, flúor, gosto e odor.
As análises relativas ao mês de fevereiro deste ano não apresentaram nenhuma alteração dos padrões. Zanatta relata que dificilmente ocorrem alterações. “Quase nunca acontece, mas se temos algum problema são tomadas providências imediatas para corrigir o tratamento”, finaliza.