11 de julho de 2026
Esportes

Tênis: Sacomandi prestigia McEnroe em torneio de veteranos no Rio

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

O ex-tenista profissional Celso Sacomandi, atual responsável pelas equipes do Bauru Tênis Clube (BTC) em diversos campeonatos, e consultor em coluna especializada publicada semanalmente pelo Jornal da Cidade, reviu anteontem, no Rio de Janeiro, um parceiro de longa data, dentro e fora das quadras. O bauruense se encontra, simplesmente, com o ex-número um do mundo, John McEnroe, com quem mantém longeva amizade.

O norte-americano participa do Torneio de Veteranos do Rio de Janeiro, o “Rio Champions”, junto a outras estrelas das quadras, entre elas Mikael Pernfors, Jimmy Arias, Jaime Oncins, Fernando Meligeni e Jim Courrier, e, assim que confirmou sua presença na disputa, insistiu para que o antigo parceiro bauruense para prestigiar o evento na Cidade Maravilhosa.

McEnroe e Sacomandi, recorda Celso, são amigos desde o início da década de 70, quando chegaram a se enfrentar em duas oportunidades, a primeira delas vencida pelo bauruense, quando ambos ainda figuravam no circuito de juvenis. Desde essa época, recorda o coordenador de equipes betecista, o norte-americano já demonstrava atributos que lhe renderiam a alcunha de “bad boy” do tênis.

“Ele ficou bravo”, conta Sacomandi, ao recordar o primeiro encontro que os então jovens tenistas tiveram dentro das quadras, em duelo disputado em 1975. Os dois voltariam a se enfrentar dois anos mais tarde, desta vez, com vitória do norte-americano.

O bauruense lembra que foi companheiro de quarto do “Bad Boy’ em diversas oportunidades e testemunha que o rótulo, pelo menos pela vivência que teve ao lado do ex-número um do mundo, principalmente, pelo comportamento demonstrado por McEnroe nos últimos anos, seriam mais “marketing” do que fato por parte do astro das quadras. “Hoje isso é mais marketing”, acredita Sacomandi.

Apesar de relatos de maré mansa, Celso também conta que já viu o amigo em dias não tão “serenos”. Segundo Sacomandi, logo no início da carreira, McEnroe deu um grande indício de que os adjetivos que tornariam ainda mais célebre uma das maiores personalidades do mundo do tênis.

A demonstração de “pavio curto”, conta o bauruense, foi dada após uma derrota para o já medalhão Jimmy Connors, em que McEnroe deixou a quadra possesso. “Ele dizia, muito bravo, que jogaria de novo, naquele momento e que, se pudesse voltar a quadra, venceria”, recorda Celso, enfatizando que, na oportunidade, McEnroe ainda era um juvenil ingressando no mundo dos grand slams, enquanto o rival já era consagrado.

Quanto a rivais, John McEnroe colecionou grandes oponentes ao longo da carreira. No entanto, o maior deles, o sueco Bjorn Borg, elogiado recentemente pelo norte-americano, que o considerou como “o maior atleta que se viu no mundo do tênis masculino”, curiosamente, deixou uma marca no visual do Bad Boy, que, arrisca Sacomandi, o próprio ainda não saiba.

Fã do sueco, Celso, ainda durante as diversas viagens pelo circuito mundial, comprou um tamanco de madeira, semelhante aos usados por Borg. “Queria ficar igual a ele (Bjorn), então comprei esse par de tamancos. McEnroe, quando viu, queria porque queria comprá-los, mas eu não tinha intenção de vender”, lembra Sacomandi, que, após muita insistência do norte-americano, trocou os calçados por um jogo de camisetas, shorts e meias.

Após reencontrar o amigo pela segunda vez no País - a primeira foi em 1996, quando McEnroe disputou partida festiva no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo -, Celso lembra outro adjetivo típico do Bad Boy do tênis, o desprendimento. “No começo de sua carreira, ele veio jogar no Brasil. Saímos à noite e ele tinha apenas US$ 20 no bolso. Queríamos ajudá-lo, mas ele negou”, detalha.

Segundo Sacomandi, McEnroe não quis estender os dias no Brasil, não por falta de dinheiro, mas em virtude de outros compromissos em quadra. “Ele dizia que o pai tinha condições financeiras, mas simplesmente veio ao Brasil só com esse dinheiro”, espanta-se.