09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O caso da escola pública


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Confesso que aquela frase mexeu comigo. No muro da Escola Estadual Ernesto Monte, na confluência das ruas Agenor Meira com Aviador Gomes Ribeiro, há uma propaganda de uma escola particular. Nesta propaganda destaco a frase, que mexeu comigo: “Nosso colégio garante o melhor ensino”. Uma escola gratuita faz, em seu muro, a propaganda institucional de uma escola remunerada. A frase supra-citada era, nos anos 60, o apanágio primordial do saudoso Instituto de Educação Ernesto Monte. Ele garantia o melhor ensino público em Bauru.

Fui aluno do Instituto de Educação Ernesto Monte. Que saudades dos queridos mestres: Aníbal Campi, Áureo Parolo, Carlos Gomes Peixoto de Mello, Cleide Canova, Daisy Massad, Edna Mânfio, Gérson Rodrigues, Gutemberg de Campos, José Benedicto Pinto, José Góri, José Moraes Pacheco, José Osvaldo Retz de Oliveira, José Romão, Marco Aurélio Pinheiro Brisolla, Maria Izabel Pires de Carvalho, Mauro Campesi, Ochélcis Aguiar Laureano, Octávio Médici, Prosperina de Queiroz e tantos outros!

O “Ernesto Monte”, que era o melhor colégio dos anos 60, como escola pública, agora cede seu muro para propagar o melhor ensino, não de uma escola estadual, mas de uma instituição de ensino particular. Não contesto, absolutamente, o melhor ensino da escola particular, citada no muro. Lamento, muitíssimo, que o “Ernesto” já não garanta mais o melhor ensino. Falo aqui como professor aposentado do magistério público estadual. Falo aqui como pai de Roberto Américo S. Vieira (o primogênito) que por lá estudou nos anos 80.

Já em 1980 o “Ernesto” não tinha o mesmo padrão de ensino dos anos 50, 60 e 70. O ocaso da educação pública iniciou-se no regime militar (1964-1985). Já se passaram 24 anos da queda do regime militar e a política de sucateamento da escola pública continua. Mudaram os donos do poder, mas a política ainda prospera. A educação gratuita é para milhões. A educação remunerada é para alguns privilegiados. Ou o Brasil investe seriamente na educação gratuita ou não haverá desenvolvimento. Vejam o exemplo do Japão de pós-guerra.

Gilberto Sidney Vieira - professor - RG 3.476.358-2