08 de julho de 2026
Internacional

Fritzl se diz culpado de incesto e nega morte

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

St. Poelten - O austríaco Josef Fritzl, conhecido como o “monstro” de Amstetten, por trancafiar e estuprar a filha Elisabeth durante 24 anos, se declarou culpado ontem de incesto, estupro e sequestro, mas negou as acusações de assassinato e escravidão.

Fritzl aprisionou a filha Elisabeth por 24 anos no porão da casa em que vivia. Ele a estuprava regularmente e teve com ela sete filhos, incluindo um bebê que morreu logo após o parto e que Fritzl, segundo a acusação, queimou em um incinerador.

Ele é acusado de homicídio por ter se negado a dar assistência médica ao bebê, que nasceu com problemas em 1996 e acabou morrendo. Além disso, responderá pelas acusações de escravidão, estupro, sequestro, ameaça com agravante e incesto, pelas quais se declarou parcialmente culpado.

As acusações de incesto, estupro e sequestro podem acarretar em uma pena máxima de 15 anos. Já a acusação de assassinato pode levar a uma pena de prisão perpétua. O código penal austríaco não contempla a acumulação de penas, prevalecendo a mais dura.

Martírio

Acompanhado por seis policiais e vestindo um terno cinza quadriculado e calças cinzas escuras, Fritzl percorreu o corredor que separa sua cela do tribunal na presença de jornalistas, que tentaram, em vão, fazer perguntas.

Fritzl ficou de pé na sala por vários minutos e durante todo o tempo ignorou as insistentes perguntas de dois jornalistas do canal de TV público ORF, autorizado pelo tribunal a entrevistá-lo.

As primeiras perguntas dos repórteres foram “Como se sente?’’ e “Gostaria de fazer alguma declaração?” Ao apresentar as acusações contra Fritzl, a promotora Christiane Burkheiser falou do “martírio inimaginável” sofrido por Elisabeth, hoje com 43 anos.

Com voz calma, Fritzl disse seu nome e deu outros detalhes pessoais à juíza. Em seu discurso de abertura, a promotora Christiane Burkheiser disse que Fritzl usou a filha “como um brinquedo”. Burkheiser disse que o austríaco às vezes violentava Elisabeth em frente aos filhos deles. Em seguida, a promotora descreveu ao tribunal como era o porão onde os crimes foram cometidos.

“Eu estive lá duas vezes e há um clima mórbido”, disse a promotora. “É úmido, é mofado e bolorento.”

A promotora também acusou Fritzl pela morte de um dos filhos gêmeos que Elisabeth deu à luz em 1996. Segundo Burkheiser, “ele não pediu qualquer socorro” quando o bebê desenvolveu problemas respiratórios, apesar dos pedidos de sua filha. “Isso, meus caros jurados, é assassinato por negligência.”

Defesa

Burkheiser também lembrou que, nos primeiros nove anos de cativeiro, a vítima viveu num espaço de 11 metros quadrados, “às vezes com três filhos pequenos e grávida”.

Segundo a promotora, já no segundo dia do cárcere, que teve início em agosto de 1984, Elisabeth, então com 18 anos, foi estuprada pelo pai no porão, onde “não havia água quente, ducha, calefação, luz do dia ou ventilação com ar fresco”.

O julgamento de Josef Fritzl começou ontem sem nenhum tipo de incidentes. Quase cem jornalistas de todo o mundo selecionados pelo tribunal acompanham a apresentação das acusações e a réplica da defesa. Depois disso, todos os repórteres terão que deixar a sala.