09 de julho de 2026
Geral

Com mais de 15 acessos, Rondon urbana é crítica

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

Os motoristas do Núcleo Gasparini que precisam ir à zona sul de Bauru não têm dúvidas: para chegar mais rápido, pegam a rodovia Marechal Rondon. Moradores do Jardim Contorno, que trabalham no Mary Dota, também utilizam a via para encurtar o trajeto. Os acessos - são mais de 15 em todo o trecho urbano da Rondon - implantados ao longo dos anos contribuem para o entra-e-sai da Rondon. Com tanto trânsito urbano, a rodovia se transformou em verdadeira avenida da cidade, aumentando o risco de acidentes, como o ocorrido na noite de anteontem, que vitimou um casal de jovens. A construção de marginais é a saída ideal.

O trecho urbano da Marechal Rondon tem início no quilômetro 336, na altura do trevo de acesso às rodovias Bauru-Jaú e Bauru-Ipaussu – o trevo da Eny. A rodovia corta Bauru até o Núcleo Gasparini. O trecho urbano termina no quilômetro 347, próximo ao trevo de acesso à Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep).

O atropelamento de pedestres que cruzavam a via era um dos principais problemas do trecho entre o Núcleo Gasparini e o Jardim Pagani. Após reivindicação dos moradores e do Policiamento Rodoviário, foram construídas duas passarelas e instaladas muretas de concreto, as defensas, para evitar que as pessoas atravessem as pistas da rodovia. As medidas, aliadas à redução da velocidade em todo o trecho para o limite máximo de 80 quilômetros por hora, deram certo e o número de acidentes caiu.

Ponto crítico

Porém, no quilômetro 422, no local do acesso da avenida Nuno de Assis à rodovia, seguido pelo viaduto sobre a linha do trem, o viaduto sobre a passagem para o Jardim Gualajara, que não possui acostamento, afunilando o trânsito e a entrada para a rua Marcondes Salgado, no sentido Interior-Capital, é um dos pontos críticos. Com tudo isso, o trânsito perde a fluidez e o risco de acidentes aumenta. O acidente que matou o casal anteontem aconteceu justamente nesse trecho.

“O motorista que sai da Nuno de Assis chega à rodovia e precisa entrar na faixa de circulação. Ele não possui um espaço muito grande para acelerar, pois logo em seguida há o viaduto da linha do trem, que possui uma faixa de aceleração muito curta. E poucos metros à frente, ainda existe a entrada para a rua Marcondes Salgado, que leva muitos motoristas a reduzir a velocidade na entrada”, explica o tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos, comandante do 1.º Pelotão Policiamento Rodoviário de Bauru.

Para ele, todo o trecho urbano da rodovia é considerado crítico. “Bauru cresceu e a rodovia permaneceu com a mesma estrutura. Além disso, não foram construídas marginais”, pondera o tenente. O Consórcio Brasinfa, que deve assumir a responsabilidade do trecho urbano da Rondon com a privatização da rodovia, adequará a via nos próximos anos. Deverão ser construídas vias marginas em pelo menos três trechos da Rondon na cidade.

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Fiscalização e segurança

O tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos, comandante do 1.º Pelotão de Policiamento Rodoviário de Bauru, alerta os motoristas que costumam trafegar pelo trecho urbano da rodovia Marechal Rondon a manter a atenção ao volante, respeitar a distância de segurança entre os veículos e observar os limites de velocidade. “Um carro a 120 quilômetros por hora percorre 90 metros até parar totalmente. Essa distância cai para 40, quando se dirige a 60 quilômetros por hora”, explica.

Para diminuir os acidentes na área, ele afirma que o Policiamento Rodoviário mantém constante fiscalização na via. Manter a distância entre os veículos é essencial. “Você nunca espera se deparar com um veículo parado na pista. Mas isso acontece. Nesse trecho existe a travessia de animais e motoristas podem parar para evitar colisão”, explica.

Por isso, existe a regra dos dois segundos. O motorista que está na rodovia escolhe um ponto fixo no acostamento e assim que o veículo da frente passa por ele, conta dois segundos. Se ele passar pelo mesmo ponto antes desse tempo, está muito próximo do carro da frente.

O Jornal da Cidade tentou entrar em contato com a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) para confirmar a construção de marginais ao longo do trecho urbano da rodovia Marechal Rondon em Bauru. Não houve retorno da agência, mas a assessoria de comunicação do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) informou que as concessionárias que ficarão responsáveis pela rodovia deverão construir as melhorias.

No corredor Leste da Rondon está prevista outorga de R$ 517 milhões e investimentos de R$ 1,6 bilhão em obras de ampliação e modernização da malha, conservação e manutenção e equipamentos e veículos para a monitoração das rodovias. Ao todo serão 99 quilômetros de duplicações, 73 de marginais, 87 de faixas adicionais e 148 de acostamentos, além de 35 passarelas e 89 trevos, retornos e obras de arte especiais.

Já no corredor Oeste da Rondon são exigidos investimentos em obras de infra-estrutura, sistemas de comunicação e veículos, estimados em R$ 1,328 bilhão, além de outorga fixa de R$ 384 milhões. Serão implantados 89 quilômetros de marginais, três de acostamentos, 22 de faixas adicionais, e ainda 14 passarelas e 107 trevos, retornos e obras de arte especiais.

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Avenida

Até ganhar marginais, o trecho da Rondon que corta Bauru continuará misturando viajantes com tráfego urbano. “O nosso policiamento já havia percebido que a rodovia se transformou em um corredor de trânsito urbano”, afirma o tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos. Ele avalia que muitos moradores de bairros da zona norte não utilizam outro caminho para a zona sul que não passe pela rodovia.

Dessa forma - nos horários de pico de trânsito, no início da manhã e no final da tarde – o entra-e-sai da rodovia leva ao aumento do risco de colisões traseiras. O acesso à Rondon pela Nuno de Assis é o campeão desse tipo de batida na área do 1.º Pelotão do Policiamento Rodoviário.

Outro ponto problemático destacado pelo tenente é o quilômetro 421, onde há acesso à avenida Cruzeiro do Sul, falta de visibilidade e as faixas de aceleração e desaceleração são curtas. “Nesse ponto também começa um aclive nos sentido Interior-Capital e alguns caminhões mais leves tentam ultrapassar alguns mais pesados, impedindo o fluxo de carros mais velozes. Isso também pode levar a colisões traseiras”, explica o tenente.

E no quilômetro 337, no acesso à rua das Festas, o fluxo de motoristas que buscam a avenida Getúlio Vargas complica o trânsito na rodovia.