08 de julho de 2026
Geral

Escola estadual terá mais computadores

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Uma boa notícia para os alunos da rede estadual de ensino. A Secretaria de Estado da Educação anunciou que vai ampliar em 50% o número de computadores nas escolas. Mas o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) questiona a eficácia do investimento. Para a entidade, as máquinas já existentes nas escolas são subutilizadas por falta de orientadores - apenas um professor de cada escola teria sido capacitado para orientar os alunos no uso de computadores.

A Secretaria de Educação divulgou que até dezembro o número de computadores nas escolas estaduais de São Paulo passará de 70 mil para 105 mil. Além dos 35 mil novos computadores, cerca de 45 mil serão trocados. Outros 25 mil já são novos e continuarão na rede, mas entrarão também no projeto.

O JC procurou a Secretaria de Educação para saber quantos computadores as 49 escolas de Bauru possuem, mas não obteve resposta. Sobre quantos novos serão destinados à cidade, a secretaria de comunicação da pasta disse que não há número fechado.

A primeira leva, de 16 mil computadores, irá para escolas estaduais da Capital e Grande São Paulo. A cada mês, 16 mil novos computadores serão enviados às escolas.

Na escola estadual Stela Machado, na Vila Pacífico, em Bauru os alunos afirmaram que há laboratório de informática com mais de 10 máquinas em bom estado. Estudante da 8.ª série, Thaís Fernanda Bincoleto, 14 anos, conta que alguns professores costumam levar os alunos para a sala, com o objetivo de incrementar o conteúdo passado em aula. “Esse ano ainda não usamos, mas no ano passado fomos muitas vezes. Também podemos pedir para a direção para fazermos pesquisas”, afirma.

A aluna Deise Gomes Silveira, 13 anos, acha positiva a utilização dos computadores na escola. “é uma ferramenta legal para o aprendizado”, diz. Lumena Milani, 14 anos, aluna também da 8.ª série, acredita que os equipamentos deveriam ser mais utilizados. “Tivemos alguns projetos no ano passado específicos do laboratório. Acho que deviam ser retomados”, afirma.

Aluno do 1.º ano do ensino médio do Stela Machado, Welington Antunes afirma que sua turma pouco utiliza os equipamentos disponibilizados nas escolas. “São poucos professores que resolvem utilizar. Vamos mais para fazermos pesquisas, observar alguma imagem”, pontua.

Apesar disso, ele tem mais sorte que os alunos da escola estadual Luiz Zuiani, no Parque São Jorge, próximo à Vila Vicentina. De acordo com os estudantes ouvidos pela reportagem, a unidade não possui sala de informática. “É muito complicado. Se os professores pedem alguma pesquisa, não podemos fazer na escola”, afirma Julye Pagani, 11 anos, aluna da 6.ª série.

Para Fernanda Pereira, 13 anos, que freqüenta a 7.ª série da escola, os equipamentos fazem falta. “Muitas vezes, os professores pedem trabalhos e falam para nós pesquisarmos na Internet. Eu tenho computador em casa, mas e quem não tem? ”, questiona.

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Críticas

A diretora da Apeoesp em Bauru, Suzi da Silva, cobra uma política de informatização das escolas da rede estadual. “Os laboratórios de informática de 99% da escolas de Bauru estão abandonados”, afirma. Ela observa que os professores não foram capacitados para utilizarem as máquinas como ferramentas das aulas e, por isso, nas unidades onde existem, são subutilizados.

Silva também avalia que a falta de autonomia das escolas também prejudica. Ela cita como exemplo uma escola onde os equipamentos foram entregues e passaram dois anos nas caixas por falta de funcionários para instalá-los.

“Fala-se tanto em envolver a comunidade. Em Bauru temos faculdades com cursos de informática e ciências da computação, mas não pudemos chamá-los para montar essas máquinas”, lembra.

Instalados, os equipamentos não são usados pelos professores, diz ela. “Há um ano e meio estão lá, parados”, critica. Ela conta que a secretaria capacitou apenas um professor por escola para utilizar os computadores como ferramentas de aula. “Na verdade, todos deveriam passar por essa formação”, avalia.