Com a frente fechada por muros e portão alto, uma casa da quadra 10 da rua São Gonçalo, na Vila Universitário, em Bauru, passaria sem suspeitas por uma residência normal. Porém o local funcionava como uma verdadeira casa de jogos clandestina, com várias máquinas e uma boa infra-estrutura com direito a bombonier e cafezinho. Depois de acompanhar a movimentação da casa durante 20 dias, a Polícia Civil de Bauru fez o flagrante da exploração de jogo de azar no início da noite de ontem.
De acordo com o delegado Milton Bassoto Júnior, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), assim que a denúncia de que havia uma casa explorando jogo de azar chegou na unidade especializada, as apurações tiveram início. A informação era que após duas apreensões realizadas pela DIG no final de janeiro - no Centro e no Jardim Cruzeiro do Sul, totalizando 50 máquinas de jogos eletrônicos – uma outra residência estaria abrigando novas máquinas de videobingo.
O imóvel foi identificado no início do mês. “Passamos 20 dias monitorando a movimentação no local”, explica o delegado. A maior dificuldade encontrada pela equipe de policiais da DIG foi o horário de funcionamento da casa de jogos. Aparentemente, as atividades começavam por volta das 18h e seguiam madrugada adentro.
Ontem, por volta das 18h, a equipe da DIG deu início à ação. Os policiais entraram na casa e encontraram três pessoas fazendo suas apostas. As máquinas estavam divididas em três cômodos, totalizando 18 equipamentos de videobingo. As apostas eram feitas em cédulas e iam de R$ 1,00 a R$ 50,00. Uma das máquinas anunciava prêmio acumulado em R$ 4,8 mil.
Os três apostadores e uma funcionária que tomava conta do negócio foram ouvidos pela DIG. A Polícia Científica foi acionada para periciar as máquinas e recolher dinheiro já acumulado nos equipamentos.
No Brasil, o artigo 50 da Lei de Contravenções Penais proíbe a instalação, utilização, manutenção, locação, guarda ou depósito de máquinas caça-níqueis, de videobingo, videopoquer e assemelhadas.
No dia 23 de janeiro, a polícia apreendeu 22 máquinas de jogos num prédio sobre uma igreja evangélica na rua Monselhor Claro. Outras 28 máquinas caça-níqueis estavam num imóvel da quadra 3 da rua Galvão de Castro, no Jardim Cruzeiro do Sul, em uma residência aparentemente abandonada.
De acordo com Bassoto, o que chamou a atenção na apreensão de ontem foram semelhanças com as de janeiro. “As poltronas das cadeiras são iguais. Até os potes usados como bombonier é igual, inclusive são da mesma cor”, ressalta. “Isso leva a crer que se trata dos mesmos donos”, pondera.