10 de julho de 2026
Internacional

Abandonem a feitiçaria, pede papa Bento XVI aos católicos angolanos


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Luanda - O papa Bento XVI fez ontem um chamado aos católicos de Angola - onde a crença em espíritos feiticeiros levou muitos a trocarem a Igreja por seitas - para que abandonem a feitiçaria e também chamou de volta aqueles que deixaram o catolicismo.

O papa, de 81 anos, mostrou sinais de fadiga no clima úmido e abafado do país. Ele rezou uma missa para milhares de pessoas em uma igreja enquanto outros milhares acompanhavam do lado de fora. Na homilia, Bento XVI pediu que os fiéis estendam a mão aos angolanos que acreditam em feitiçaria e espíritos.

“Tantos estão vivendo com medo de espíritos, de poderes ameaçadores e malignos. Em seu atordoamento, eles até acabam acusando crianças de rua e idosos de serem bruxos,” disse ele.

No ano passado, a polícia resgatou 40 crianças que eram mantidas em uma casa por duas seitas religiosas depois de terem sido acusadas de feitiçaria por suas famílias. Os líderes das seitas foram posteriormente presos. Jonas Savimbi, o carismático combatente da guerrilha que liderou o oposicionista partido Unita na guerra contra o governo, lutou ao lado de uma mulher que ele acreditava que iria protegê-lo do fogo inimigo com suas práticas de magia.

Mas em Angola a crença em espíritos vai além das seitas evangélicas. Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que muitas crianças abandonadas tinham sido acusadas de feitiçaria, em especial em áreas rurais, porque se acreditava que estavam possuídas por espíritos malignos.

O florescimento de seitas evangélicas é um grande problema para a Igreja Católica desde o fim da guerra civil, que durou 27 anos e terminou em 2002.

O número de seitas na ex-colônia portuguesa saltou de apenas 50 em 1992 - ano em que o governo abandonou o marxismo - para 900, segundo o instituto nacional sobre religião de Angola.

Especialistas dizem que as seitas são atraentes para os angolanos porque seus rituais são muito intensos, mesclados com tradicionais crenças africanas, e alguns prometem o fim imediato do sofrimento em um país onde a maioria da população ainda é muito pobre.