08 de julho de 2026
Ser

Gerente é um dos primeiros proprietários

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Adalberto Ballo Pereira, que atualmente é gerente de contas de uma operadora de telefonia celular, foi um dos primeiros brasileiros a adquirir uma linha móvel. Ele é da época que o telefone móvel servia só para telefonar. Algo que pareceria óbvio se 19 anos mais tarde essa mesma tecnologia não oferecesse acesso a Internet, não tivesse rádio, MP3 player, câmera fotográfica, vídeo, GPS e tantos outros recursos.

Adalberto conta que morava em São Paulo naquela época (em 1993) e pagou mais de R$ 3 mil para ter sua linha. Como o sinal era analógico, ele lembra o quanto era comum perder uma ligação ao passar por prédios altos e montanhas. “Havia muita área de sombra e o sinal era cortado com muita facilidade”, recorda. “Área de sombra” são os locais onde o celular não funciona. “Usar o celular na estrada, nem pensar. Era preciso ficar ‘caçando’ sinal”, relata.

Ele lembra também o quanto era normal ver pessoas subindo para um lugar alto para poder atender ou fazer uma ligação. Tinha também a baixa capacidade de armazenamento de energia da bateria. O telefone tinha de ser colocado na tomada para carregar praticamente todos os dias. Quem usava o celular com muita freqüência, tinha bateria para apenas meio dia. Diferentemente de como é hoje, era preciso esperar a bateria descarregar totalmente sob risco de danificá-la com rapidez. “Por causa disso, além do celular, nós tínhamos de levar o carregador junto”, relembra.

Outra particularidade dos primeiros telefones lançados no Brasil era o aquecimento da bateria. Quanto mais se usava o aparelho, mais esquentava a bateria. “Teve um amigo meu que formou bolha na orelha dele de tanto ficar falando ao celular”, conta Adalberto.

Naquela época, carregar o telefone na cintura era algo fora de cogitação. Além de grande, o aparelho era pesado. Se colocava no bolso, fica aquele volume horroroso e constrangedor. Nada comparado com os dias atuais, em que carregar um celular no bolso é algo perfeitamente possível e não fica feio. Existem aparelhos pequenos e extremamente leves, que podem ser levados no bolso ou na cintura sem incomodar.