08 de julho de 2026
Ser

Ter um aparelho é pouco, dois é bom e três é melhor

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A dependência do telefone celular em algumas pessoas chega a tal ponto que ter um aparelho apenas não atende mais as necessidades. Seja por uma questão de economia ou simplesmente por gostar de colecionar aparelhos de diversos tipos e operadoras, o fato é que tem se tornado comum encontrar pessoas com mais de um celular.

Em outra ponta, o surgimento do telefone com chip provocou um “enxugamento” no número de aparelhos. Ao invés de andar com três celulares pendurados na cintura, passou a ser possível carregar apenas um telefone. Basta trocar o chip. O inconveniente é ter um lugar adequado para transportar os chips, que são pequenos, portanto, fáceis de serem perdidos. O administrador de empresas Marcos Vinício Faria é um desses “colecionadores”. Ele tem três aparelhos e dois chips, ou seja, é detentor de cinco linhas telefônicas. Pode parecer um exagero, mas ele garante que a diversidade tem como objetivo principal reduzir custos.

Uma linha é corporativa, ou seja, foi fornecida pela empresa e normalmente é usada para tratar de assuntos profissionais. As outras são particulares. Uma delas serve apenas para receber chamadas, porque tem uma tarifa mais baixa para quem liga. O terceiro aparelho é para uso pessoal. É nele que Marco Vinício faz a troca de chips. Dependendo para quem vai ligar, ele usa um chip. Com as promoções de tarifa zero para ligar para telefones da mesma operadora, essas trocas refletem positivamente na conta no fim do mês. Mesmo assim, ele gasta, em média, R$ 100,00 por mês com telefone.

Como andou perdendo alguns chips, o administrador de empresas diz que passou a deixálos em casa, o que diminuiu a freqüência das trocas. Outra desvantagem citada por ele é ter de carregar os três aparelhos. Não é sempre que isso acontece, porque não é toda hora que precisa levar o telefone da empresa ou o que recebe chamada. Quando sai de casa para fazer algum programa de lazer, ele leva apenas um celular. “Tenho mais de um por necessidade. Não gosto de ficar andando com um monte de aparelho”, garante.

Quem também não se sente bem carregando vários celulares é o vendedor Fábio Lino de Souza. Na avaliação dele, ter várias linhas é uma vantagem porque, dependendo da ocasião e para quem vai ligar, usar determinada operadora deixa a ligação mais barata. Mas ele também não gosta de carregar mais do que um aparelho.

Fábio tem três linhas e dois aparelhos. Em um deles, usa dois chips ao mesmo tempo, ou seja, enquanto fala em uma linha, a outra continua liberada. Se uma segunda pessoa procurá-lo, Fábio pode pedir licença com quem está falando e atender a segunda ligação. É um conforto que o celular proporciona, ainda mais para quem depende constantemente de telefone, como é o caso dos vendedores.

Aliás, a chegada do telefone celular mudou completamente a maneira de se fazer negócios. Poucas categorias foram tão beneficiadas como a que trabalha com vendas. O contato com os clientes ficou muito mais fácil. A qualquer hora, em qualquer lugar, é possível fechar pedidos, tirar dúvidas, fazer propostas, etc.

Trocar chip do telefone para economizar nas dezenas de ligações que faz durante o dia é um recurso muito utilizado também pela administradora de empresas Sílvia Chermont Crema. Um dos chips, ela usa quando precisa ligar para casa ou falar com parentes que moram em Bauru ou fora daqui. Outro, quando fala com o marido.

Dia desses, deixou um com a avó que estava hospitalizada. Por se tratar de chips da mesma operadora, ela ligava para conversar com a avó e saber se estava precisando de alguma coisa e não pagava nada por causa da promoção tarifa zero. Para evitar ficar carregando vários aparelhos, Sílvia revela que está de olho em um telefone que comporta até quatro chips. É quase uma “central telefônica” ambulante.