O surgimento das novas tecnologias, o que inclui a telefonia celular, cumpre uma importante função de expor, a cada dia, a necessidade da educação, do estudo, do preparo para a crítica, para o questionamento das reais necessidades de tudo aquilo que tais tecnologias podem proporcionar. Esta é a opinião do psicólogo Jair Lopes Júnior, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru.
Segundo ele, tudo o que é novo exige do ser humano um repertório suficientemente rico para lidar com os desafios impostos para desvendar e fazer funcionar “as maravilhas do mundo moderno”.
Avaliar os efeitos da tecnologia sobre o comportamento cotidiano das pessoas constitui- se, na opinião dele, em algo complexo, principalmente por envolver vários aspectos. “Em linhas gerais, a tecnologia, ou mais exatamente a presença de recursos tecnológicos em aparelhos que integram a nossa rotina, impôs uma exigência ‘educacional’”, afirma.
Segundo o psicólogo, o mero funcionamento destes aparelhos depende da aprendizagem de vários repertórios, com diferentes níveis de complexidade. E isso impõe a necessidade das pessoas se manterem “atualizadas”, ou seja, buscar informações sobre o novo, o diferente, e assim, ampliar seu conhecimento.
“Assim, como efeitos positivos da tecnologia caberia destacar, além de possíveis e questionáveis benefícios decorrentes do funcionamento dos recursos tecnológicos (rapidez, conforto, baixo custo, amplitude, etc), a imperativa necessidade de rever a qualidade da educação”, destaca o professor.
Jair lembra que na medida em que a telefonia móvel foi ampliada e continua crescendo a cada dia, as condições de acesso a um diversificado conjunto de opções de produtos de diferentes naturezas, ela reduziu drasticamente o custo para sua produção.
Com isso, tornou possível a qualquer brasileiro, ou quase, comprar um aparelho. Mas ele faz uma ressalva: “Tal redução de preço não significa a necessidade de adquirir esses aparelhos”.
Segundo ele, o que ocorre é que as pessoas estão diante de uma crescente onda de publicidade que impõe e defende, com uma argumentação duvidosa, discursos que tentam demonstrar o quanto o produto é “importante”.
É nesses momentos, segundo Jair, que vemos a face individualista, consumista e imediatista de parte da sociedade e o quanto a propaganda interfere nas decisões de como e onde gastar.