08 de julho de 2026
Ser

Até os mais resistentes acabam aderindo ao celular

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O pastor Ivanildo Alves Silva resistiu o quanto pôde. De tanto os filhos e a esposa insistirem, ele se rendeu às vantagens do telefone celular e hoje anda com um preso na cintura. Apesar da rendição, ele continua com a mesma opinião de outrora. Acredita que o telefone móvel não é assim tão necessário. Pelo menos, não para ele. “Quando não estou em casa, estou na igreja, e nos dois lugares têm telefone fixo. Posso ser encontrado com facilidade”, argumenta ele.

Mas e quando está viajando? “Quando saio em viagem, o telefone fica emitindo o aviso ‘fora de área’. De que adianta levar o telefone?”, questiona. Mas quando está nas áreas em que há sinal para fazer ligações, o pastor até admite que o celular é importante. “Em caso de emergência, ele pode ser bastante útil”, aponta.

Ivanildo diz que tem um celular hoje porque ganhou de presente há três anos. Ele usa o aparelho, normalmente, para falar com a esposa e com os filhos. Se perguntarem o número do telefone, o pastor diz que não vai lembrar. “Eu uso tão pouco que ainda não memorizei o número”, justifica.

As poucas vezes que utiliza, acha que não faria tanta falta se não usasse. Por exemplo, quando está no mercado, liga para a esposa para saber o que está faltando em casa. Algo que poderia ser facilmente resolvido com uma lista de compras antes de sair de casa. “Tenho certeza que dá para ficar sem. Não faz falta”, afirma.

O bancário Benedito Luiz de Aguiar Filho tem a mesma opinião. Mas, ao contrário do pastor, ele não se rendeu aos encantos do celular, pelo menos por enquanto. “Acho absolutamente desnecessário”, opina. Segundo ele, salvo algumas exceções, o telefone móvel não passa de um modismo. “Os meus filhos usam, todos os meus amigos usam, mesmo assim defendo minha tese de que o celular, na maioria dos casos, é dispensável.”

Benedito diz que chegou a essa conclusão observando para que tipo de ligação as pessoas usam o aparelho. “Percebi que 90% das ligações poderiam esperar ou dava para resolver os problemas de outra forma, sem a necessidade de ligar para outra pessoa”, comenta.

Benedito passou 30 anos de sua vida morando em São Paulo, onde poderíamos dizer que o telefone celular é um instrumento indispensável. Segundo ele, não é bem assim. Achar que o simples fato de carregar um aparelho pode dar mais segurança, pode ser um engano. Em casos de perigo, ele até pode ser usado para pedir ajuda, mas pode também ser o motivador da violência. Mesmo quando está na estrada, se é preciso pedir socorro, o bancário diz que o celular pode ser substituído pelos telefones de serviços que estão instalados às margens das rodovias duplicadas. “Ao longo desses 30 anos que morei em São Paulo, viajei muito. Se usei o telefone duas ou três vezes foi muito”, relata.

Para ele, o celular virou o “fastfood do relacionamento”. “As pessoas estão deixando de se falar olhando nos olhos para usar o celular. Quando estão por perto, não têm o que falar”, observa.