10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Do preço da gasolina, 57% são tributos

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

Não é novidade que a gasolina vendida no Brasil está entre as mais caras do mundo - pesquisa de uma consultoria americana mostra que a gasolina brasileira é a 11.ª mais cara entre 35 países pesquisados em quatro continentes. O que poucos sabem é que o alto valor está diretamente ligado aos tributos embutidos no preço final do produto. Do valor pago pelos motoristas nas bombas, 57,13% são impostos, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro).

Considerando o preço médio do litro da gasolina em Bauru apurado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre os dias 8 e 14 deste mês, que foi de R$ 2,44, o consumidor paga R$ 1,39 de impostos (federais e estaduais) por cada litro do combustível. Se não fossem os tributos, na hora de abastecer o motorista desembolsaria apenas R$1,05 pelo litro.

No período analisado pela ANP, a gasolina era vendida por R$ 2,25 o litro, o menor valor em Bauru, em apenas um posto de combustível com bandeira branca (que pode comprar combustível de qualquer revendedora) localizado no Jardim Bela Vista. Dos 40 estabelecimentos pesquisados na cidade, 18 vendiam gasolina pelo valor máximo, R$ 2,49 o litro.

Diante do alto preço, da gasolina, a opção pelo álcool é a alternativa encontrada por muitos motoristas bauruenses. No mesmo período, o álcool era comercializado pelo preço médio de R$ 1,26 o litro na cidade, com valor mínimo de R$ 1,15 e máximo de R$ 1,39 - variação de R$ 0,05.

Há três meses o taxista Cícero Lima Dourado abastece com álcool o seu veículo, que é tetracombustível (além do álcool e da gasolina, pode rodar com gás natural e nafta, gasolina pura usada em países com Argentina e Chile).

“A gasolina aqui em Bauru ainda é muito cara e não compensa. Há um ano, quando comprei o carro, fazia um quilômetro com R$ 0,11 se colocasse gás natural; R$ 0,16 se abastecesse com álcool e R$ 0,20 com gasolina”, conta Dourado. “Hoje, ando a mesma quilometragem com R$ 0,18 se abasteço com álcool e R$ 0,24 com gás natural. Se abastecer com gasolina, certamente fico no prejuízo porque o valor é muito maior”, acrescenta.

Apesar de procurar sempre abastecer no mesmo posto, o taxista também faz pesquisa de preços para não sair no prejuízo. “Nem sempre o combustível mais barato é a melhor opção. Em muitos casos, o barato pode acabar ficando caro, quando o combustível é adulterado. Por isso, faço pesquisa de preços, mas procuro abastecer sempre em postos conhecidos”, afirma Dourado.

Um estudo realizado pela consultoria americana Associates for International Research (Airinc) mostra que o preço da gasolina no Brasil é o 11º mais alto entre os 35 países de quatro continentes pesquisados, à frente de vizinhos latino-americanos e de emergentes como China e Rússia.

No País, o custo apurado do galão de gasolina (1 galão = 3,785 litros) ficou em R$ 9,34, um pouco abaixo do cobrado no Reino Unido (R$ 10,56) e acima de Japão (R$ 9,16), Argentina (R$ 7,03) e China (R$ 6,74). O litro de gasolina no Brasil custa US$ 1,30 (R$ 2,91) em média. Nos Estados Unidos é de US$ 0,75 (R$ 1,68) e na Argentina US$ 0,60 (R$ 1,34). O presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares, afirma que a gasolina vendida nos postos brasileiros está atualmente entre as mais caras do mundo devido ao preço relativamente mais caro do produto nas refinarias da Petrobras e à pesada carga tributária sobre o combustível.

“A Petrobras não faz a planilha de preço em cima do preço do dia do petróleo. Hoje, o barril de petróleo na bolsa de valores é vendido a US$ 45,00 (R$ 100,8), mas a Petrobras manteve os US$ 60,00 (R$ 134,40)”, explica Soares. “O que não é ruim, pois quando o barril era comercializado a US$ 100,00 (R$ 224,00), ela também manteve os US$ 60,00. Ela espera a estabilização do preço para regular sua tabela. Pode até ser que ela abaixe o preço na refinaria”, acrescenta o presidente.

Nas últimas quatro semanas, o preço médio da gasolina em Bauru variou de R$ 2,44 a R$ 2,47. Para o diretor do Sincopetro de Bauru, Wagner Siqueira, a pequena variação está ligada à concorrência natural do mercado. Para ele, a cidade tem um número alto de postos de combustível por habitante, o que faz com que o número de clientes em cada estabelecimento caia. “Como a demanda fica abaixo do esperado, para ganhar mercado, os proprietários abaixam os preços”, afirma Siqueira.