09 de julho de 2026
Nacional

Policiais são acusados de extorsão

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A Polícia Federal prendeu ontem uma quadrilha de policiais acusada de extorquir dinheiro de empresários e sacoleiros na cidade de São Paulo. Entre os presos estão dois policiais federais, um ex-policial civil e um ex-policial militar.

Segundo o delegado superintendente da PF em São Paulo, Leandro Daiello Coimbra, membros do grupo usavam documentos falsos e se passavam por delegados de polícia para achacar as vítimas, de quem cobravam entre R$ 5 mil e R$ 50 mil para não prendê-las nem apreender mercadorias compradas com nota fiscal irregular. A quadrilha, diz a PF, agia ao menos desde novembro.

A investigação foi batizada de Operação Persistência pelo fato de alguns dos policiais acusados serem reincidentes em crimes semelhantes.

A PF não divulgou o nome dos presos, sob a alegação de que isso atrapalharia as investigações. O delegado disse apenas, sem citar nomes, que o ex-PM preso já havia sido condenado em 2001 pelo assassinato de um delegado da PF que investigava extorsões praticadas por policiais. Condenado a 23 anos, o ex-PM cumpria pena em regime semiaberto (quando o preso tem o benefício de passar o dia fora da prisão).

Já o ex-policial civil havia sido expulso da corporação acusado do mesmo tipo de crime.

Dois casos de extorsão de empresários e um terceiro, de sacoleiros que estavam em um ônibus vindo do Paraguai, haviam sido confirmados até o final da tarde, segundo o delegado. A PF espera ter confirmação de outros casos semelhantes após o interrogatório dos presos.

Segundo o superintendente, o grupo não tinha um líder. “Todos atuavam, trocando de função.” A quadrilha, diz ele, não usava informações de investigações da PF para escolher os empresários que seriam alvo de achaques - a fonte, segundo Coimbra, eram “informantes” de irregularidades cometidas pelos empresários.

Além dos policiais presos, foram presas outras duas pessoas (a PF não deu detalhes) e há ainda um sétimo integrante, que está foragido.

As prisões são temporárias (por, no mínimo, cinco dias) - exceto para o foragido, que teve a prisão preventiva (sem prazo definido) decretada. “A PF não tolera desvio de conduta”, diz o superintendente. Também não foram divulgados nomes nem áreas de atuação dos empresários achacados.

R$ 5 milhões falsos

Na casa de um dos policiais federais foram encontrados R$ 13 mil em dinheiro e um jet-ski. Com ele e com os demais integrantes, foram apreendidos veículos que a PF ainda investiga se são roubados ou foram usados para cometer os crimes. Ao todo, 11 mandados de busca e apreensão foram executados.

A PF apreendeu também R$ 5 milhões em notas falsas com a quadrilha. Segundo o delegado Coimbra, ainda não se sabe se há ligação entre o dinheiro falso e a atuação da quadrilha.

A PF diz ter chegado à quadrilha após denúncia feita no final do ano passado por um dos empresários achacados. Segundo a polícia, apesar de algumas das vítimas estarem de fato ligadas a compra e transporte de produtos com nota fiscal irregular, “a princípio” elas estão sendo tratadas “como vítimas”.