10 de julho de 2026
Nacional

Após quase um ano da morte de Isabella, casal já perdeu 11 recursos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A menos de uma semana de completar um ano, o caso Isabella Nardoni ainda provoca controvérsias. Dos 12 especialistas do meio jurídico consultados pela reportagem sobre a prisão do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, oito são a favor de que os réus continuem presos mesmo antes de ser julgados. E quatro são contra.

O pai e a madrasta de Isabella são acusados de matar a menina, de 5 anos, na noite de 29 de março de 2008. Eles estão presos há 10 meses e 16 dias, desde 7 de maio de 2008, em presídios em Tremembé, no Interior. O juiz Maurício Fossen, do 2.º Tribunal do Júri, autor da decisão, justifica a necessidade da prisão para garantir a ordem pública e assegurar a fase de instrução do processo.

Os réus já perderam 11 decisões de habeas corpus nas três instâncias da Justiça. Eles alegam inocência. Hoje, o Tribunal de Justiça de São Paulo vai julgar mais um recurso impetrado pelos advogados do casal. O recurso pretende anular a sentença do juiz Fossen, que leva os acusados a júri popular. A Turma Julgadora desse recurso é integrada pelos desembargadores Luis Soares de Mello, Euvaldo Chaib e desembargador Salles Abreu.

Entre aqueles que são a favor da prisão do casal está o desembargador do TJ e presidente da Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), Nelson Calandra. “Há fortes indícios contra eles, provas robustas. E o processo com o réu preso tem prioridade na Justiça”, diz.

Para defender a prisão do casal, o desembargador Antonio Carlos Malheiros lembra a importância da garantia da “manutenção da ordem pública”, além de outros dois itens: a possibilidade de fuga e coação de testemunhas ou alteração de provas.

O promotor Roberto Tardelli, que atuou no caso Suzanne Von Richthofen, também opina sobre a prisão do casal. Suzanne foi julgada e condenada com o namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele, Christian, por matar os pais dela, em outubro de 2002. A defesa recorreu da sentença e eles aguardam, atrás das grades, o resultado do recurso.

Entre os quatro que se manifestaram contra a prisão está o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SP), Luiz Flávio D’Urso. Ele acredita que a prisão era desnecessária desde o começo. Segundo D’Urso, o casal não tentou fugir, a instrução do processo (depoimentos e debates) terminou e eles não têm como atrapalhar coleta de provas e coagir testemunhas.

Ana Carolina Oliveira, mãe da menina Isabella Nardoni, afirmou que vai comparecer ao julgamento do caso. A bancária concedeu entrevista ao programa “Fantástico”, da Rede Globo.

Oliveira chorou todo o tempo e não quis expor seus sentimentos em relação ao casal. Ela afirmou que acredita na justiça de Deus, mas confirmou que acompanha o caso de perto, por meio de sua advogada, e que estará presente no dia do julgamento. “Eu acompanhei desde o começo e naquele momento eu também estarei lá”, afirmou.

A mãe da menina afirmou que não tem rotina e que sofre de recaídas, quando pensa que não conseguirá seguir em frente. Oliveira afirmou que mantém o quarto como antes da morte da menina, incluindo os bichos de pelúcia, as fotos e as roupas de Isabella.