09 de julho de 2026
Internacional

Obama apresenta plano para Afeganistão

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou ontem sua nova e “abrangente” estratégia para a Guerra do Afeganistão, iniciada em 2001 por uma coalizão liderada pelos EUA em resposta aos ataques terroristas de 11 de Setembro. Em anúncio oficial, Obama afirmou que a rede terrorista Al Qaeda - responsáveis pelos ataques - encontrou solo seguro no Paquistão e por isso os EUA devem expandir a “guerra ao terror” para o país vizinho.

“Oito anos depois do 11 de Setembro, a Al-Qaeda, incluindo sua liderança, Osama Bin Laden, foram para Paquistão”, afirmou Obama. “Muitos especialistas alertam que a Al-Qaeda está preparando ataques enquanto fica segura no Paquistão e, se deixarmos a situação como está, o país se tornará a sede do grupo que quer destruir os Estados Unidos.’’

Em uma crítica indireta ao antecessor George W. Bush, Obama afirmou que, desta vez, os investimentos americanos não serão marcados pelo desperdício e ineficiência. “Não escreveremos um cheque em branco. O Paquistão precisa mostrar trabalho”, disse o democrata, que pediu ao Congresso americano que aprove lei que triplicará para US$ 1,5 bilhão anual o investimento americano no país pelos próximos cinco anos.

“Peço que o Congresso aprove esta lei para ajudar a construir escolas, ajudar a reconstruir a infraestrutura do país”, disse Obama, que pediu ainda a aprovação de um segundo projeto de lei que “ajuda a desenvolver a economia na fronteira e criar oportunidades”.

A nova estratégia da “guerra ao terror” liderada pelos americanos será “dividir, destruir e derrotar a Al-Qaeda no Paquistão e no Afeganistão e evitar que eles voltem a ambos os países no futuro”. “Esta é a meta que precisamos alcançar”, disse Obama. “Esta é a causa que não poderia ser mais justa. E as terroristas que se opõe, minha mensagem é a mesma: nós os derrotaremos.”

Crise econômica

Obama reconheceu que o anúncio de mais investimentos na Guerra no Afeganistão, e agora também no Paquistão, pode assustar os americanos em tempos de grave crise econômica, com orçamento apertado e o pacote bilionário de resgate a economia.

Contudo, o presidente afirmou que o dinheiro investido no país “representará uma economia a longo prazo” já que, no futuro, com as forças de segurança paquistanesas e afegãs treinadas e equipadas, os EUA pouparão milhões em gastos com tropas americanas na região. “O povo americano tem que entender que este é um pagamento para nosso próprio futuro. O Paquistão precisa destruir a Al Qaeda e isolá-la de seu povo para que possamos ter mais segurança.”

Alianças

Obama afirmou ainda que os EUA iniciarão um novo grupo de aliados, que reunirá “todos que devem ter voz no processo de paz na região”. A lista inclui alguns países com quem os EUA tinham relações estremecidas na administração anterior, como Rússia, China e Irã - que aceitou nesta semana o convite para participar da conferência sobre o Afeganistão, em Haia, no próximo dia 31. A Índia também faz parte da lista, segundo Obama.

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Paquistão e Afeganistão aprovaram

Washington -“Para ajudar o Paquistão, ainda mais em tempos de crise econômica, precisamos trabalhar com o Banco Mundial, o FMI e outros aliados”, afirmou Obama, que reiterou em vários momentos do anúncio a necessidade do apoio de outros países para o sucesso no conflito.

“A segurança do mundo está em jogo. Esta região se tornou a mais perigosa do mundo. Terroristas em Londres, Bali, no norte da África, Islamabad, estão todos ligados a Al Qaeda. Se há um ataque em uma cidade europeia, há ligação com eles”, disse Obama, em um recado aos aliados ainda reticentes em ampliar investimentos em dinheiro e tropas no país.

Os governos do Afeganistão e do Paquistão expressaram satisfação e aprovação com o novo plano para enviar 4.000 soldados adicionais para território afegão e triplicar para US$ 1,5 bilhão a ajuda americana aos paquistaneses.