Nos treinamentos para a prova do tambor na categoria amador principiante da 4.ª Etapa do 12.º Campeonato do Núcleo Bauruense de Quarto de Milha (NBQM), minha grande dificuldade é fazer o cavalo Victory King correr. “Desse jeito, vou demorar uma hora para completar o percurso”, penso.
“Quando chegar o momento da prova, ele irá mudar assim que entrar na pista”, garante o treinador Vágner Simionato. Será? Pouco antes do meio-dia, um locutor começa a convocar os competidores da categoria amador principiante para que se apresentem. Sinto aquele famoso frio na espinha quando ouço meu nome ser anunciado.
Devidamente paramentado, eu havia feito uma nova sessão de treinamento na manhã de sábado, mas ainda estava bastante inseguro. Mas quando chega a minha hora, não adianta continuar divagando sobre esses “pormenores”. Vamos para a pista e seja o que Deus quiser!
Quando entra no paddock (espaço onde os cavaleiros permanecem antes de entrar na pista), Victory King, sempre tão manso, de repente se transfigura. Suas pupilas se dilatam e sua respiração fica ofegante. Ele parece estar louco para correr. Vamos lá, então.
Logo no primeiro obstáculo, um desastre. Fiquem tranqüilos, não levei tombo algum. Quem levou foram os tambores. Consegui a proeza de derrubar os três obstáculos. Enquanto deixava a pista, lembro-me de ter ouvido o locutor dizer “... sem aproveitamento.”
“Você terá mais uma bateria para disputar”, explica Vágner. Assim que deixo a pista, preciso me apresentar ao juiz da prova, para que ele avalie o estado físico de Victory King. Caso o animal apresentasse qualquer tipo de machucado, eu seria eliminado da competição.
Permaneci no lombo de Victory King, enquanto aguardava ser chamado novamente. “Acho que é melhor a gente combinar o seguinte: desta vez, eu não te atrapalho e você não derruba o tambor. Vamos na manha”, disse ao cavalo, que só abanou a orelha e não falou mais nada - aliás, se ele tivesse falado, seria uma outra matéria, e bem sensacional, diga-se de passagem.
O locutor brada meu nome. Dessa vez, resolvo apelar para a fé e rezo uma “Ave Maria”. Victory King está mais tranqüilo e já consegue se controlar quando entra no paddock. Corremos em direção ao primeiro obstáculo. Tento me manter um pouco distante do tambor, para não derrubá-lo.
Ainda assim, Victory King esbarra de leve no tambor, que balança, balança e volta ao lugar. Ufa! Corro para o segundo obstáculo, e dessa vez nem passo perto de derrubá-lo. No terceiro, as coisas são mais tranqüilas ainda. É só galopar para o abraço... Ao final da prova, minhas pernas nem doem mais.
Gastei pouco mais de 27 segundos para completar o trajeto, enquanto os demais competidores precisaram de 18, apenas, em média. Quem se importa? No final, recebo até um troféu de participação, mesmo tendo ficado em último na classificação geral. “Acho que se nos dessem mais uma chance, a gente conseguia fazer o percurso em 20 segundos”, brinco.
Nos quatro dias que se seguiram à prova, minhas pernas latejaram sem parar. Mas o que é uma dor nas pernas comparada à emoção de poder cavalgar com o vento batendo no rosto?
Campeonato
Ocorrido no último final de semana, a 4.ª Etapa do 12.º Campeonato do Núcleo Bauruense de Quarto de Milha (NBQM) reuniu cerca de 900 competidores no Recinto Melo Moraes. O evento contou com provas das seis balizas e dos três tambores. Competidores de todo o Brasil participam do torneio, um dos mais conceituados do Brasil. A última etapa do campeonato será em julho. Os organizadores aguardam cerca de 1,2 mil participantes.