10 de julho de 2026
Regional

Universitário de Pederneiras cria sistema barato para falar com a casa

Rita de Cássia
| Tempo de leitura: 4 min

Imagine uma casa que com um toque de voz tudo começa a funcionar. A Casa Inteligente já existe, porém o acesso é restrito a classe social mais abastada. Há dois anos custava cerca de R$ 100 mil. Um aluno da FGP de Pederneiras usou a idéia e fez um protótipo com um custo de cerca de R$ 250,00. Embora não tenha sido projetado para deficientes, o sistema de comando de voz poderá representar um avanço para quem tem dificuldades visuais e físicas.

O protótipo foi apresentado pelo aluno do último ano de Sistema da Informação, Masterson Ricardo dos Santos Cosme no maior evento de inovação tecnológica e entretenimento eletrônico em rede do mundo, Campus Party.

A feira que acontece pela 2a vez no Brasil, tem encontro anual desde 1997 na Espanha e o protótipo foi um dos projetos apresentados na Campus Party Labs, uma área, especialmente criada para o encontro de idéias e talentos com forças que movem a nova economia. Um laboratório de inteligência, criatividade.

Cosme criou uma maquete de uma casa com comando de voz para iluminação e som. Outros aparelhos poderão ser acionados através do mesmo comando. “No protótipo eu acionava a iluminação e o rádio. Mas, o sistema permite que sejam acoplados outros itens, tudo que liga e desliga, um chuveiro por exemplo. No rádio, sob o comando, é possível não somente ligar e desligar, mas trocar de emissora. O mesmo pode acontecer com a televisão.”

Há dois anos quando começou a trabalhar no projeto, o aluno pesquisou o preço da Casa Inteligente e chegou a conclusão que era caríssimo. “A idéia foi baratear e mostrar que é possível, construir um sistema semelhante com pouco dinheiro, com pouquíssimo dinheiro.”

Aluno da iniciação científica, Cosme pegou um projeto de automação que eu tinha construído em um curso técnico e adaptou para a casa. “Na verdade era um projeto que eu estava fazendo para outra coisa e surgiu a casa. Eu fiz um projeto de automação no Senai que não tinha nada a ver com casa. Na faculdade apareceu a oportunidade e eu peguei o projeto de automação e aprofundei. Surgiu a casa, a idéia de aplicar a automação numa casa.”

Sistema funciona com um Pentium III

O baixo custo do sistema foi conseguido graças ao tipo de equipamento usado. “Eu usei um Pentium III, um computador de um giga byte de velocidade, como na automação, para comandar. Ele reconhece qualquer voz. O sistema existente no mercado tem controle remoto, com vários teclados onde o morador digita o código e ele obedece, tipo um teclado de alarme residencial.”

Ao reconhecer a voz, o sistema permite que o morador dê um comando de voz e faça ligar e desligar a luz ou que procure a emissora de rádio de sua preferência. “Tudo tem que estar configurado antes de instalar.” A chegada da TV digital vai favorecer o sistema. “Ela é simples de adaptar na casa. Você poderá pedir que ela ligue e desligue e que vá para um determinado canal é só gravar os comandos.”

Para reconhecer a voz, o aluno usou programa gratuito que tem na Internet. “Usei um computador e um circuito eletrônico que eu desenvolvi pois não encontrei para comprar. O conjunto do computador com essa placa eletrônica e esse programa de reconhecimento de voz faz a casa funcionar.”

Cosme explica que o sistema não exige uma construção específica. “Pode ser ligada em qualquer casa, não é preciso construir especialmente para isso. É necessário mudar algumas ligações e fazer adaptações. O circuito da casa funciona em 12 volts e a casa nossa é 127 volts, estou contornando esse problema da tensão.”

O sistema está sendo testado para ser melhorado. “Algumas funções poderão ser adicionadas. Tem função para comandar a casa por Internet.”

O protótipo valeu dois convites ao estudante universitário, um para participar de uma feira em Porto Alegre e outro, para a Campus Party da Espanha versão 2009. Porém, a ele falta patrocinador.

Controle pelo celular

Outro estudo de Cosme visa fazer o comando de voz pelo celular. “Eu fiz um teste pelo MSN ou Skape. “ Com a banda larga dá para visualizar a casa, com câmaras instaladas em todos os cômodos.”

Tem várias funções na casa que ainda não foram apresentadas, de acordo com o universitário. “Como é protótipo não poderia apresentar tudo numa feira. Usei só produtos nacionais. É lógico que a placa que eu tive que desenvolver é facilmente encontrada em casas que comercializa produtos eletrônicos. Essa placa vai ser melhorada. Cada coisa que acrescentar vai modificar a placa.”

Ele pretende registrar. “Estou a procura de alguma empresa que queira investir. Que queira registrar a patente em conjunto ou coisa do tipo.”