10 de julho de 2026
Política

Incapacidade da prefeitura influi para o agravamento do problema

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O diretor do Sindicato da Habitação (Secovi), Fernando César Pegorin, tem opinião formada sobre o assunto. Para ele, a falta de infra-estrutura é um fator agravante para que 60% dos terrenos da cidade fiquem em situação de abandono. Para ilustrar a tese, ele diz que uma das regiões mais nobres da cidade, entre o Aeroclube e os condomínios fechados, está sem arruamento, o que impossibilita a ocupação.

Para ele, o problema não é só dos proprietários, e sim de um conjunto de questões mal resolvidas ou não resolvidas que provocam o estado de abandono. “Neste percentual, tem loteamentos carentes de infra-estrutura, aprovados antes da lei 6.766 entrar em vigor. Hoje, os empreendedores têm que entregar os loteamentos com infra-estrutura. Há proprietários que não conseguem sequer ter acesso a seus lotes, dependendo do local. Esses lotes ficam com mato alto e servem de criadouro de animais peçonhentos e insetos indesejáveis. A prefeitura tem que tomar a frente e melhorar esse item também.”

Pegorin cita ainda que, em Bauru, há lotes que foram invadidos e que o proprietário não consegue a reintegração de posse, áreas em litígio e casos de investidores que compram vários terrenos a espera da valorização.

“No passado, Bauru foi alvo de muita especulação imobiliária. Tanto é que não é difícil receber a visita, certamente na prefeitura também, de pessoas que compraram lotes há muito tempo, em loteamentos que estão há 60 anos esperando infra-estrutura, e eles ficam esperando a valorização.”

Exemplo contrário, cita o diretor do Secovi, ocorre com os loteamentos aprovados após a lei 6.766 ter entrado em vigor. “O empreendedor foi obrigado a fazer a infra-estrutura e eles estão praticamente ocupados. Os loteamentos abertos ou fechados dessa linha estão sendo povoados em virtude dessa legislação”, completa.

Pegorin frisa que, no Município, há áreas que poderiam estar ocupadas, mas pelo rigor nas exigências feitas pela prefeitura, as construtoras continuam abandonadas. “As exigências são muito grandes por parte da prefeitura e várias áreas deixam de ser ocupadas por construtoras que vêm aqui, tentam viabilizar lançamentos e não conseguem.”

Quando o poder público não faz o seu papel, os proprietários tomam atitudes semelhantes, na opinião do diretor do Secovi. “Se aquela região logo após o Aeroclube tivesse a ‘mão’ do poder público, estaria no estado de abandono que está hoje? Eu acredito que não. Mas os proprietários também não cuidam porque o poder público não faz o papel dele”, conclui.