10 de julho de 2026
Regional

Em Botucatu, vacinação reduz em 71% as doações de sangue

Carlos Demarchi
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - Em tempos de vacinação em massa contra a febre amarela, o número de doadores de sangue diminuiu 71% no Hemocentro do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu (100 quilômetros de Bauru). O principal motivo é que as pessoas imunizadas devem aguardar 21 dias para doar. Acostumada a receber uma média de 70 doadores por dia, a unidade está com doações de sangue bem abaixo da normalidade: são 20 doadores por dia que estão em condições de doar. Três coletas externas programadas há um mês tiveram de ser canceladas em Itatinga, Águas de Santa Bárbara e Bauru.

Aqueles que se vacinaram contra a febre amarela precisam esperar 21 dias para doarem porque a vacina interfere no resultado sorológico, teste que detecta o conteúdo do material fornecido. O Hemocentro, geralmente, recebe entre 1.200 e 1.500 bolsas a cada mês.

O Hemocentro informou que a vacinação é importante, porém, a recomendação é que a doação seja feita antes da imunização contra a doença. A própria unidade está com um posto de coleta para facilitar na campanha de vacinação. “Se possível, a doação deve ser feita antes, para não haver falta nos 21 dias posteriores”, explica o médico hemoterapeuta Luís Henrique Mihara.

De acordo com Mihara, o hemocentro enfrenta dificuldades nessa fase e deve buscar doadores de outros municípios da região, como São Manuel, Igaraçu do Tietê e Barra Bonita, cidades que não integram a vacinação maciça em curso. A unidade já comunicou o sinal de alerta à Hemorrede.

Com demanda local de 80 bolsas de sangue diários, um dos pacientes que necessitam de sangue são os afetados pela febre amarela - eles utilizam uma quantidade elevada porque sofrem de falência hepática, gerando mais transfusões. Para ser doadora, a pessoa deve ter entre 18 e 65 anos, pesar acima de 50 quilos e possuir boa saúde.