11 de julho de 2026
Nacional

Estudante é morta em assalto diante dos pais no Rio por causa de crachá

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - A estudante Karla Leal dos Reis sairia ontem com os pais para comprar o presente de seu 25.º aniversário, completados no último sábado. Mas um assalto na noite de anteontem interrompeu os planos e, em vez de comemorar mais um ano de vida da filha única, o porteiro Carlos Antônio dos Reis e a vendedora Iolete Fátima dos Reis tiveram que enterrá-la no cemitério do Catumbi, no centro do Rio.

A jovem foi morta diante dos pais, a poucos metros da sede da Prefeitura do Rio, por um homem que acabara de roubar sua bolsa. Eles voltavam de um culto da igreja Assembleia de Deus quando, por volta das 20h, foram abordados por três homens - um deles armado -, próximo à rua do Teleporto. De acordo com o depoimento dos pais na delegacia, a família desceu de ônibus na avenida Presidente Vargas e foi caminhando em direção à rua Paulo de Frontin. Após serem abordados pelos assaltantes, Karla entregou a bolsa, mas pediu a um deles que devolvesse a Bíblia que trazia do culto e seu crachá da Caixa Econômica Federal, onde estagiava no setor de análise de contratos habitacionais desde julho de 2008.

O assaltante havia lhe devolvido a Bíblia, quando a jovem e os pais se viraram para sair do local. Sem motivo aparente, segundo os pais, o ladrão atirou contra a nuca de Karla. Ele jogou a bolsa no chão alguns metros adiante. Um amigo do pai disse que Carlos Antonio se jogou sobre corpo após ela ser baleada para tentar socorrê-la.

Mesmo muito abalada, a mãe Iolete Fátima dos Reis pediu misericórdia ao assassino da jovem durante o sepultamento do corpo.

Karla era descrita como uma jovem reservada e dedicada. Falava pouco e saía de casa apenas para a igreja, faculdade ou estágio. Durante a infância, morou na Vila Cruzeiro, uma das favelas mais violentas do Rio. Segundo um primo dela, Davi Reis, ela se formaria em administração no próximo mês de julho pela universidade privada UniCarioca.

Considerada um “ponto de equilíbrio” na família, foi a responsável por converter os pais à religião. No velório, o pai segurava a Bíblia que Karla havia lhe dado. A jovem ajudava a família pagar as contas com o que ganhava no estágio. “Ele estava sempre sorridente, gostava de ajudar os outros. É triste ver uma covardia dessas e não ter como agir”, diz Davi.

Ainda na noite de anteontem, a polícia deteve dois rapazes suspeitos de envolvimento no crime. Os pais de Karla afirmaram que não tinham certeza se eles participaram da ação. A polícia suspeita que os criminosos sejam do morro São Carlos, próximo ao local.