09 de julho de 2026
Nacional

Incidência de HIV pode ser até dez vezes maior em presídios

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

São Paulo - A incidência de HIV na população carcerária brasileira pode ser até dez vezes maior do que na população em geral, em que pelo menos 0,6% das pessoas estão infectadas. Os dados foram divulgados ontem durante a 1.ª Consulta Nacional sobre HIV e Aids no Sistema Penitenciário.

A diretora do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, citou o exemplo de um presídio em Ribeirão Preto, no Interior de São Paulo, que chegou a registrar infecção por HIV em 5,6% dos detentos.

Ela alertou, entretanto, que a estimativa foi feita com base em estudos pontuais e que não há um levantamento nacional do número de presos infectados. “Mais do que um estudo nacional, precisamos de ações específicas”, contestou.

Para Mariângela, levantamentos nacionais, por outro lado, podem gerar confusões na interpretação dos dados. Ela ressaltou que estatísticas nacionais indicam que 65% da população carcerária têm acesso a preservativos, e que em alguns presídios o acesso aproxima-se de 100%. Porém, há casos onde não há acesso algum.

Em 2008, o governo federal destinou 406 milhões de preservativos aos Estados, mas apenas 25 milhões deles chegaram aos presídios. A previsão, para este ano, é de que a distribuição seja de 26 milhões de preservativos para uma população carcerária que chega a 420 mil em todo o País.

Além das condições de confinamento e da assistência inadequada nas penitenciárias, Mariângela acredita que o alto índice de presos usuários de droga e as uniões entre pessoas do mesmo sexo dentro dos presídios contribuem para que o HIV se espalhe dentro das celas.