08 de julho de 2026
Nacional

MEC quer unificar vestibular das federais

Folhapress
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São Paulo - O Ministério da Educação (MEC) anunciou ontem uma proposta de reformulação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que passaria a ser composto por 200 questões, ao invés das 63 atuais. A proposta também prevê a substituição dos vestibulares das universidades federais pela avaliação. A proposta foi entregue para a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e precisa da aprovação dos reitores das universidades para entrar em vigor.

De acordo com o ministério, o objetivo das mudanças é reestruturar o conteúdo aplicado pelo ensino médio, que atualmente, privilegia. Para o ministério, a unificação do vestibular das universidades federais também vai beneficiar os candidatos que não precisarão se deslocar para diferentes lugares para realizar a prova. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007 (Pnad/IBGE), de todos os estudantes matriculados no primeiro ano do ensino superior, apenas 0,04% residem no Estado onde estudam há menos de um ano.

A nova prova, proposta pelo MEC, seria composta por quatro testes, sendo um de cada área do conhecimento: linguagens, códigos e suas tecnologias (1), ciências humanas e suas tecnologias (2), ciências da natureza e suas tecnologias (3) e matemática e suas tecnologias (4). Cada teste teria 50 questões, totalizando 200, que seriam divididas em dois dias de provas.

Os reitores das universidades federais começaram a receber ontem a proposta. Apesar de esperar a adesão das federais, o ministro da Educação, Fernando Haddad, pretende aplicar o novo Enem já este ano, independentemente de quantas universidades estiverem participando do novo sistema. Mas o ministro já admite que a prova poderá ser feita mais de uma vez por ano.

O ministério trabalha com a possibilidade de fazer mais de uma prova por ano, possibilitando ao estudante participar de mais de uma avaliação e melhorar sua nota e também atendendo ao ritmo das instituições, que muitas vezes fazem duas seleções anuais.

A forma que seria feita a escolha da nota a ser usada pela universidade ainda não está definida. De acordo com Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto de Estatísticas e Pesquisas em Educação (Inep), se o aluno fizer mais de um Enem por ano, a instituição poderá escolher se quer a média do aluno nas provas ou a nota mais alta.

A prova teria um outro benefício para o aluno: ele poderia usar a nota da mesma prova para se candidatar a cursos em diferentes processos seletivos, já que os testes serão comparáveis. Por exemplo, ele poderia tentar uma vaga em medicina na seleção do final do ano e novamente em julho, usando a mesma nota, se desejasse.

A proposta enviada ontem pelo MEC aos reitores prevê a primeira prova para outubro deste ano, com os resultados sendo apresentados em janeiro de 2010. A pressa do ministério em definir a data é uma das preocupações dos reitores, que deverão se reunir em Brasília na próxima semana para dar uma resposta a essa nova idéia de seleção.