09 de julho de 2026
Articulistas

As águas brasileiras

Fabio T. Lazzerini
| Tempo de leitura: 3 min

A relação das moléculas de hidrogênio e oxigênio é bastante peculiar e relativamente rara quando se compara a todo o Universo. Podem concentrar-se localmente, fazendo parte de muitos astros sob a forma de águas. O hidrogênio é o elemento mais comum de todos e se une relativamente fácil ao oxigênio. Como surgiram as águas em nosso planeta Terra? Existem duas teorias básicas: uma que as águas vêm do espaço e outra que se formaram por aqui mesmo, na aglutinação de elementos após o “big bang”.

Não como em todo decorrer da história da Terra, hoje as águas predominam e são abundantes nas suas camadas mais exteriores (atmosfera, superfície, crosta e manto - não no núcleo). A superfície já passou por épocas secas, aquosas e até globalmente oceânicas. As alterações nas suas temperaturas, pressões, composições físico-químicas e microbiológicas, influenciaram em muito na história geológica. Águas no ar, na chuva, no chão, embaixo dele, nas coisas e em nós. Ultimamente, elas estão merecendo até data comemorativa internacional (22 de março).

As águas, como “solvente universal”, quase sempre carregam partículas sólidas e gasosas, além de outros líquidos. Assim, de acordo com suas diversificadas histórias e caminhos, podem ser identificadas, classificadas e diferenciadas. Ao considerar o elemento água sempre no plural, as águas podem ser úteis e interessantes de várias maneiras, em vários usos. Talvez seja um importante instrumento social para sua valorização.

A minha água é brasileira, vem do rio Corumbataí/SP, (do rio Piracicaba, não mais), é tratada, custa caro, possui previsão de aumento de demanda exponencial. Aqui, nossa companhia de águas até já as envasaram em embalagens de água mineral, como as “tap waters” (encanadas) dos países ricos.

Também estou começando a coletar águas de chuvas nas minhas calhas para uso doméstico. Tenho amigos que utilizam para vários fins econômicos as águas subterrâneas de poços artesianos e caipiras (mais rasos). Aprecio muito as águas minerais engarrafadas, especialmente as gasosas mineiras, as alcalinas de Ibirá e as oligominerais levíssimas de Lindóia. Trabalho com águas raras e jogadas fora por poços profundos prospectores de petróleo, como em Águas de São Pedro/SP, Ártemis-Piracicaba/SP, Mossoró/RN e Caldas do Cipó/BA; onde seus usos em saúde e lazer são potencialmente enormes. Quem não gosta de uma praia, um rio, lagoa, piscina, banheira, nosso box da ducha diária, SPA (saúde pelas águas). Já pensou a higiene sem elas? Atualmente, a grande diferenciação das águas é justamente esta, de seus usos e legislação visando organizar o mínimo para preservação de seus mananciais, superconsumidos e maltratados ou “esgotados”.

O nosso Brasil é um dos países que possui mais águas líquidas e límpidas na superfície e no subsolo. Contudo, viajei muito e não conheço uma cidade brasileira acima de médio porte (cada vez maioria de nossa população) onde os rios não estejam degradados, as chuvas não causem estragos, a água confiável ou agradável não seja a mineral engarrafada na fonte; e as águas subterrâneas? Credo que é isso! Sim, até essas estão sendo super-exploradas e contaminadas.

Ah, ainda tem a Amazônia, o Pantanal, o Aquífero Guarani, o litoral, as chuvas do país tropical, os políticos. Ops, desculpem, coloquei estes aqui por engano, é do artigo sobre o inferno! Lá não tem nem uma água.

Mas muito obrigado águas, e por favor, ajudem com os gases carbônico e metano, para que não aqueçam muito nosso Gaia. Sei que é nossa culpa, mas vocês são divinas. Deus as abençoe.

O autor, Fabio T. Lazzerini, é biólogo da Organização Mundial de Termalismo