08 de julho de 2026
Regional

Médico é preso ao retirar droga de grávida

Daniel Bergamasco
| Tempo de leitura: 2 min

Assis - Um ginecologista foi preso em Assis (180 quilômetros de Assis) acusado de ser cúmplice de tráfico e de retirar da vagina de uma mulher prestes a dar à luz um pacote de maconha que tinha se rompido dentro do corpo dela.

Segundo a polícia, a mulher, que seria “mula” (pessoa contratada para transportar drogas), não conseguiu retirar sozinha o pacote de maconha e foi levada ao hospital por três homens, que também foram presos sob acusação de tráfico.

O flagrante foi feito no hospital, onde foram achados os 130 gramas de maconha, segundo a polícia - que diz ter recebido uma denúncia anônima.

Também foram encontrados R$ 8.000,00 com um dos três acompanhantes da mulher, de acordo com o registro policial. Segundo a polícia, o dinheiro seria usado para pagar o médico Ari Giansante. O caso aconteceu anteontem.

A mulher recebeu voz de prisão, mas continuou internada e teve o bebê - uma menina - no mesmo dia.

“Ela embarcou em São Paulo e chegou de madrugada à rodoviária de Assis, onde foi ao banheiro e tentou retirar os 130 gramas de maconha. Não conseguiu e acabou rasgando o pacote. Então, ela e o cliente que esperava a maconha procuraram o médico para fazer o procedimento de retirada”, informou o delegado Carlos Fracasso.

A reportagem telefonou repetidas vezes para o consultório do médico ontem. A secretária que atendeu as ligações informou que o médico não tinha aparecido para trabalhar, mas alegou que não sabia nada sobre a prisão.

Ela disse que não poderia fornecer o contato da família ou do advogado do médico. A polícia disse que Giansante está preso em Gália (70 quilômetros de Bauru).

Os outros envolvidos não tiveram seus nomes divulgados até o final desta edição.

A Santa Casa de Assis diz que comunicou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) sobre a prisão do médico e que também investiga o caso.

“Não sabemos o que aconteceu. O que achamos estranho é que o médico atendeu a portas fechadas, sem nenhuma enfermeira na sala e sem registrar ficha de atendimento ambulatorial’’, disse Paulo Nogueira Salvaro, procurador jurídico do hospital.

Salvaro afirmou ainda que o médico não pertencia ao quadro da Santa Casa, mas que usava o local para atendimentos havia 15 anos. Para o Cremesp, trata-se de um caso complexo de bioética.