08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Liberação das drogas


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(A solução menos pior... matéria da Veja, de 18/3). O tempo nos mostra o óbvio: tudo o que é proibido torna-se objeto do desejo do homem. O maior exemplo são as drogas; quanto mais combatidas, mais consumida e a guerra ao tráfico vai se eternizando sem resultado, enquanto a figura do traficante se torna cada vez mais audaciosa, a violência cada vez maior e as autoridades cada vez mais perdidas, sem saber o que fazer.

Por mais que se tente evitar, a solução é uma só: a liberação das drogas, para o bem geral da humanidade. Muito ainda se tentará, antes que isso aconteça, mas um dia ela virá, inevitavelmente. É claro que haverá uma revolução sem precedente, mas, acredito, é o caminho da redenção. A liberação provocaria abundância, que provocaria a banalização que, lenta e gradativamente, iria soterrando o hábito do uso. O primeiro impacto da liberação seria benéfico: desapareceria a figura do maior inimigo, atualmente, da humanidade, que é o traficante. Reduzir-se-ia a violência contra o semelhante. Em contrapartida, a figura do suicídio de viciados ganharia proporções em escala alarmante, mas iria se arrefecendo, à medida que as gerações fossem tomando consciência e aceitando a realidade.

Demandaria muito tempo? Ora, demandaria muito menos tempo do que já se gastou com a luta infrutífera contra o tráfico e suas consequências e ainda o que se gastará, sem que surja uma luz no fim do túnel. Afinal, o processo natural de aperfeiçoamento da raça humana não é feito através do uso do livre arbítrio? Não foi Deus que o concedeu ao homem, justamente para que ele distinga o bem do mal, o certo do errado? E por acaso Deus o retira alguma vez? O homem é livre para fazer o que lhe dá na cabeça, mas fica sujeito à colheita dos resultados de seus atos. O resultado desse processo é demorado, porque demorado é o homem em aceitar o lado correto das coisas.

Só depois de percorrer as sendas mais incertas e obscuras, ele aceita trilhar o caminho certo, cujo traçado está latente em seu subconsciente, mas alguns o rejeitam à exaustão. Cabe aos pais fazer emergir essa responsabilidade no jovem o mais cedo possível, para que ele sinta a necessidade de não criar obstáculos em seu caminho, mais do que a vida já apresenta. E no mais, simplifico dizendo que o objetivo é o desenvolvimento moral, o processo é o livre arbítrio e o tempo é a eternidade, porque Deus não tem pressa. Sempre haverá retardatários ao longo do caminho.

Roldão Senger