08 de julho de 2026
Geral

HB estuda ceder área para PS Central

Por Luciana La Fortezza | Com Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A Secretaria Municipal de Saúde e a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) estudam uma parceria, cujo principal beneficiado será o usuário do Pronto-Socorro Central (PSC). Se for viabilizada, os pacientes de urgência e emergência contarão com mais uma ala, porém dentro das dependências do Hospital de Base (HB). Neste caso, os corredores do pronto-socorro, onde 15 macas com pacientes disputam espaço, serão desafogados.

Além de proporcionar um pouco mais de conforto ao usuário, a medida também visa garantir alento à AHB, que há anos enfrenta sérias dificuldades financeiras. A contrapartida da prefeitura, no entanto, não seria financeira, mas em material, conforme a própria associação sugeriu.

“O município está se dispondo a dar uma ajuda, mas com inúmeros produtos que são consumidos na atenção hospitalar. Estamos estudando a viabilidade legal disso. Em troca da gente operar numa área do HB, a gente fornece material (como soro)”, explica o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti.

Se a proposta vingar e o HB disponibilizar uma área específica de suporte ao PSC, contará com o apoio do Estado, conforme já sinalizou o secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata. “O Estado pode vir nos ajudar para reformar a ala porque ele tem interesse nessa adequação, mas talvez nem seja necessário”, explica o superintendente da AHB, Vladmir Scarp. Barradas se comprometeu até em equipar o novo espaço, reitera Monti.

Especialidades

A quantidade de leitos e as especialidades ainda não foram definidas pelas partes. Certo é que não serão destinadas a unidades de terapia intensiva (UTI), ressalta o superintendente da associação. Atualmente, o hospital conta com duas UTIs justamente para atender os pacientes oriundos do PSC. Mas é possível que alguns leitos sejam atribuídos para emergência psiquiátrica, uma antiga reivindicação de pacientes (e familiares). Atualmente, eles são transferidos para Associação Hospitalar Thereza Perlatti, em Jaú.

“São leitos psiquiátricos para internação mais curta. Para tirar a pessoa da crise”, afirma Monti. De acordo com ele, a ala nova, que também pode contemplar pacientes psiquiátricos, seria operada pelo próprio HB. “A secretaria não vai colocar seu pessoal lá dentro. Mas terá uma articulação entre o PSC e o hospital. Veja bem, não são leitos a mais, mas uma acomodação mais adequada dentro do hospital. Estamos atendendo, em média, 600 pessoas por dia”, ressalta o secretário municipal de Saúde.

Ele e Scarp garantem o interesse das partes. No entanto, ambos sabem que o esforço não colocaria fim aos problemas que cada um enfrenta. Porém, qualquer melhora no PSC é bem-vinda. “Mas não terá impacto na quantidade de atendimento. O que mudará essa realidade são outras medidas que estão em curso. A conclusão da unidade do Mary Dota, a do Ipiranga, aumentar a rede básica. Estamos fazendo a contratação de médicos na rede. Isso tudo vai contribuir para melhorar o funcionamento”, conclui. A AHB é mantenedora do HB.

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Longa espera

Eram 13 as macas espalhadas pelos corredores do Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru, na tarde de ontem. Em cada canto, uma mesma história se repetia: a dor e o incômodo da doença ao lado do trânsito de funcionários e junto a um aglomerado de parentes que ficavam em pé, acompanhando o martírio dos enfermos.

Era o caso da dona de casa Fátima Dorcas Magarotto Gonçalves, 43 anos, que até as 18h de ontem aguardava o sogro José Ademir de Melo ser encaminhado para exames que definiriam a necessidade de internação. A suspeita da família era de que o parente estivesse com hérnia nos testículos.

Em pé desde as 9h da manhã, Fátima afirma que a exposição de doentes e familiares nos corredores do PSC chega a ser constrangedora. “Meu sogro está inchado, sangrando e ficamos o dia todo para conseguir uma maca. Mesmo assim, é bem complicado, porque é desconfortável para ele, mas a gente não tem outra opção a não ser esperar”, lamenta.

Ao lado dela, a dona de casa Luciana Lucas, 60 anos, recebia soro nas veias e, embora parecesse conformada com a situação, estava ansiosa para que o rumo do seu tratamento fosse logo definido. “Estou com um cisto no rim e esperando o médico mandar internar no Hospital de Base. Mas o que a gente fica sabendo é que não há vaga, então tem que ficar aqui”, comenta. Ontem, ela permaneceu por pelo menos 10 horas no corredor do PSC.