09 de julho de 2026
Polícia

Denunciante da máfia de caça-níquel sofreu ameaça

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-diretor do Departamento de Fiscalização de Posturas da Prefeitura de Jaú, João Fernandes Coelho da Silva, sofreu ameaças de morte quando denunciou a máfia dos caça-níqueis. Ele consta entre as testemunhas de acusação na ação penal que resultou em 33 mandados de prisão decretados pela Justiça Federal de Jaú, cumpridos na última terça-feira nos municípios de Jaú, Rio Claro, Bauru e São Paulo. Ao todo, 26 pessoas, sendo oito policiais, foram presas pela Polícia Federal, conforme o JC divulgou. Todas acusadas de participar de esquema de exploração de máquinas caça-níqueis.

Após sofrer represálias, foi bater às portas do Ministério Público Federal (MPF). “A bina não registrava as ligações (com ameaças). Houve dois disparos de arma de fogo em direção à minha casa. Era intimidação. Posso dizer que fui o primeiro a enfrentar a máfia dos bingos e caça-níqueis, em 2006”, comenta. Escrivão da polícia aposentado, ele conta que, ao atuar no órgão municipal, recebia diariamente queixas e reclamações de vítimas do jogo ilegal.

As intimidações pelas quais sofreu são de conhecimento de promotores e procuradores. Coelho não descarta que outras pessoas tenham enfrentado as mesmas intimidações, na época. Atualmente, nenhum problema dessa natureza chegou ao conhecimento do procurador da República de Jaú, Marcos Salati, e de Luciano Gomes de Queiroz Coutinho, promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP), núcleo de Bauru.

Ex-Deinter

Eles denunciaram 52 pessoas pelo esquema, que envolvia também os municípios de Bauru e Rio Claro. Entre eles estavam o ex-diretor Departamento de Polícia Judiciária - 4 (Deinter-4), Roberto de Mello Annibal, o delegado seccional de Jaú, Antônio Carlos Piccino Filho, além de seis investigadores, um agente policial e um policial militar.

Piccino deixou o cargo por decisão judicial e por determinação do secretário estadual de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto.

Ele era subordinado a Annibal, que, até anteontem à noite, estava prestes a assumir a Divisão de Registros Diversos (DRD) do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), em São Paulo. Poucas horas depois, ainda anteontem, a Secretaria de Segurança Pública, por meio da assessoria de imprensa, informou que Annibal não assumiria mais o cargo. Ontem, o órgão de comunicação esclareceu que o ex-Deinter-4 assumiria uma função administrativa por decisão do diretor do Dird.

Annibal trabalhava em Bauru com o investigador Fábio Augusto Casemiro da Rocha e com o agente Alexandre Rossi, que tiveram a prisão preventiva deferida pelo juiz federal de Jaú Rodrigo Zacharias.

No entanto, eles não foram encontrados até o fechamento dessa edição pela Polícia Federal. Presume-se que, diante das circunstâncias, não compareceram para trabalhar. Caso contrário, seriam presos. Além deles, outros cinco continuavam foragidos.