11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Pecuarista segura os bois no pasto

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A queda média de 16% no preço da arroba do boi está levando o produtor a manter os animais no pasto. Ao deixar o plantel mais pesado, ele consegue driblar a perda. A prática, no entanto, provoca redução no número de abates, um dos problemas enfrentados atualmente pelos frigoríficos. Mas o segmento sofre com várias outras dificuldades, inclusive com a queda nas exportações devido ao fim dos créditos financeiros. Impossível não relacionar o contexto à crise financeira mundial.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, as exportações caíram 54% entre janeiro deste ano e o mesmo mês de 2008. De acordo com ele, no Estado de São Paulo, as exportações caíram de 56 mil toneladas para 35 mil toneladas de um ano para outro, queda de 37,5%. Para ele, o número é um reflexo da escassez de créditos bancários, que sumiram do mercado desde setembro do ano passado, quando a crise teve início.

Os frigoríficos exportadores recorriam aos adiantamentos de contratos de câmbio. Eles eram tomados para que fossem pagos somente depois que a carne chegasse no país de destino. “Não tem como não comprometer. Antes da crise, a União Européia já tinha diminuído as importações. A Rússia parou depois da crise e agora retoma lentamente. O frigorífico não tem oferta de animais para o abate”, comenta.

Atualmente, o plantel fica mais tempo no pasto para ganhar peso, uma vez que a arroba do boi caiu de R$ 90,00 para R$ 77,00, reitera o diretor-presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação de Bauru e Região, Antônio Carlos de Oliveira Matheus, o Pardal. De acordo com ele, também por conta dessa situação, o Frigorífico Mondelli deu férias antecipadas para 56 funcionários do total de 798. Quando voltarem, outros 56 gozarão o benefício e assim sucessivamente.

Segundo um funcionário do frigorífico ouvido pelo JC, a empresa negou que a medida tenha qualquer relação com a crise financeira mundial. Informou aos trabalhadores que o problema é justamente a ausência de matéria-prima (animais para abate). Tanto que medida idêntica teria sido adotada também no ano passado, antes dos Estados Unidos irradiarem dificuldades ao planeta. O frigorífico ainda teria informado que o nível de exportações estaria dentro da normalidade. Nem por isso, os funcionários estão tranqüilos.

Pardal já passou por apreensões semelhantes. Enfrentou a peste suína, a gripe aviária, a vaca louca e até a vaca magra do plano cruzado, por exemplo. “Quando tem crise, o setor de alimentação é o último que entra e o primeiro que sai. Mas como a carne é um alimento nobre, dentro do segmento de alimentos, é a primeira que entra e a última que sai”, conclui.

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Produção

Em meio à crise e dificuldades internas, o frigorífico Bertin, com sede em Lins, contrata mais funcionários. As principais admissões do frigorífico de Lins se deram na unidade de Campo Grande, onde foram abertas cerca de 500 vagas para o segundo turno, informa a assessoria de imprensa.

De acordo com o órgão de comunicação da empresa, em maio entrará em operação a planta de Diamantino (MT). Já foram contratadas cerca de 450 pessoas da cidade. Os novos funcionários, que ocuparão funções operacionais chave, estão em treinamento em outras unidades. Na de Marabá (PA), durante os meses de janeiro e fevereiro, foram admitidas mais cerca de 400 pessoas, também em treinamento atualmente. “Importante destacar que, nos dois primeiros meses de 2009, o Bertin tornou a incrementar o número de cabeças abatidas, atingindo uma utilização de sua capacidade superior a 85%”, informa nota da assessoria.

Já no Itabom com sede em Itapuí, que trabalha apenas com carne de aves, a produção foi reduzida em 15% por conta da diminuição do consumo interno. A empresa não exporta. Os ajustes, porém, não resultaram em demissões, informa por nota encaminhada pela assessoria de imprensa, o presidente da empresa, Pedro Poli.

“Não teve necessidade de demitir funcionários da produção. Se utilizou dessa mão-de-obra para aumentar a produção de produtos de maior valor agregado. Evitando, assim, a demissão de colaboradores e reaproveitando a mão-de-obra para outro foco”, conclui.