10 de julho de 2026
Nacional

Morre ex-deputado Moreira Alves, pivô do AI-5

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Rio - O jornalista, escritor e deputado Marcio Moreira Alves, 72 anos - responsável por discurso em 1968 usado pelo presidente Costa e Silva como pretexto para editar o Ato Institucional n.º 5, a mais drástica medida de exceção da ditadura militar - morreu às 18h25 de hoje no hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul do Rio, em razão de falência múltipla dos órgãos.

Moreira Alves estava internado havia quase seis meses, desde 18 de outubro do ano passado, após ter sofrido um acidente vascular cerebral.

O velório foi programado para o salão nobre do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio. Amanhã, às 14h, o corpo sairá em direção ao cemitério do Caju, onde será cremado às 15h. Moreira Alves estava casado pela segunda vez, deixando três filhos e uma enteada.

Adversário do governo João Goulart (1961-1964), o carioca Marcio Emmanuel Moreira Alves, nascido em 14 de julho de 1936, inicialmente apoiou o golpe de 31 de março de 1964. Foi para oposição quando os militares divulgaram o primeiro ato de exceção dias depois.

Como repórter e articulista político do extinto “Correio da Manhã”, foi voz ativa na denúncia da tortura e das prisões arbitrárias e crítico à política econômica do então ministro do Planejamento Roberto Campos (1964-1967).

No dia 30 de agosto de 1968, a Universidade Federal de Minas Gerais foi fechada, e a Universidade de Brasília (UnB) foi invadida pela Polícia Militar, que espancou diversos estudantes.

Em 2 de setembro, em protesto contra a invasão da UnB, Moreira Alves, deputado pelo MDB, pronunciou discurso, propondo um “boicote ao militarismo” e pedindo que a população não participasse dos festejos do 7 de Setembro.

O discurso de Moreira Alves foi considerado pelos ministros militares como ofensivo “aos brios e à dignidade das Forças Armadas”.