Os meios de comunicação estão dando espaço para as notícias que abordam a violência. E isso tem gerado um sentimento de insegurança generalizado. A opinião é da socióloga Maria Cecília Martha Campos. Segundo ela, a retórica do medo está alimentando o imaginário da população de que tudo está perdido ou quase tudo.
“O que nós estamos assistindo é a uma exacerbação da violência. Ela está em todo lugar, inclusive, nos momentos de lazer, ou seja, nos games, nos filmes, na música, etc”, afirma a socióloga. E isso reflete de duas formas na sociedade. Enquanto uma parte da população (a maioria) se sente acuada e amedrontada, outra (bem menor) se sente estimulada a reproduzir os atos de violência observados nos games, filmes, etc.
Para Maria Cecília, o fato de existir no Brasil um “exército” privado de vigilantes três vezes maior que o contingente de policiais é uma prova de que o poder público não está conseguindo dar conta da segurança da população. “Só há espaço para a iniciativa privada quando o poder público perde a capacidade de atender as necessidades do cidadão”, observa ela.
No aspecto da segurança, assim como em outros, o investimento para ter o serviço privado é alto e somente a elite tem condições de pagar. Segundo a socióloga, essa é a tendência da política neoliberal implantada no País, de enxugamento da máquina pública e deixar que o mercado tome conta dos serviços. “Com isso, a maior parte da população fica desassistida não somente na questão da segurança, mas também na saúde, na educação. Quem fica à mercê do serviço público nessas áreas, sofre”, afirma ela.