08 de julho de 2026
Geral

Em terra alheia, discrição deve ser total

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Um dos piores erros que o turista tupiniquim pode cometer é achar que será capaz de se livrar das saias-justas apelando para piadinhas ou para o bom coração das autoridades. Lá fora, nosso velho e conhecido jeitinho dificilmente tem vez. O melhor, recomendam os viajantes experientes, é tentar ser o mais discreto possível e procurar seguir à risca os costumes vigentes no local.

“Se você respeita as regras, evita contratempos e aproveita melhor o passeio”, afirma Divaldo Disposti, mantenedor do Colégio Fênix. Numa de suas dezenas de viagens rumo ao estrangeiro, ele se deparou com uma situação inusitada - pelo menos para os padrões brasileiros.

“Nos Emirados Árabes Unidos há uma polícia dos costumes, que vigia o comportamento das pessoas e coíbe tudo aquilo que possa ser considerado excesso. Antes de desembarcarmos do avião, nosso guia recomendou que tomássemos cuidado para não deixar à mostra revistas com fotos de nosso Carnaval, por exemplo, pois isso poderia nos trazer problemas”, relata.

Nas praias dos Emirados Árabes, todo mundo vai de roupa, mesmo quando querem tomar banho de mar. Já nas da Europa, é comum encontrar mulheres com os seios à mostra (o famoso “topless”).

“Para as européias, isso é algo normal. Elas não admitem, porém, que façam gracinhas ou coisas do tipo”, afirma o professor de geografia aposentado Muricy Domingues. Quase todos os anos ele viaja para roteiros internacionais e, por essa razão, teve a chance de presenciar inúmeros casos envolvendo choques de cultura.

“Na Europa, você jamais terá intimidade com as pessoas, a não ser que sejam muito próximas a você. Dificilmente cumprimentará alguém com um aperto de mão. Para eles, um simples aceno de cabeça já é suficiente”, afirma.

Na França, o gesto de oferecer bebidas ou alimentos a estranhos representa uma ofensa bastante grave. “Se um homem pergunta a uma mulher se ela aceita um gole de refrigerante, por exemplo, ela encarará isso como uma cantada”, garante Muricy.

Diferentemente do que ocorre no Brasil, as universidades européias (principalmente as espanholas e italianas) costumam ser bastante rígidas no que se refere à disciplina dos alunos. “Lá, se o estudante não estiver de calça social e sapato, não entra na faculdade. Não tem essa história de ir à aula de sandália ou bermuda. Eles também não toleram atrasos”, diz Muricy.