09 de julho de 2026
Internacional

Cai produção de carro de luxo na Europa


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Eslováquia - A partir de amanhã, a Volkswagen interrompe por duas semanas a produção do Porsche Cayenne. Motivo: não tem a quem vender. Grande parte dos carros de luxo são produzidos na fábrica da Volkswagen nas proximidades de Bratislava. Sua interrupção será o espelho de uma crise que atinge a região chamada até agora de “Detroit da Europa”, entre a Eslováquia e a República Tcheca, transformada na última década numa plataforma exportadora de veículos que atraiu investimentos de todo o mundo.

Desde 2000, os Produtos Internos Brutos (PIBs) desses países cresceram a ritmos chineses, alavancados pelo setor automotivo. Agora, correm risco de ter de pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para sobreviver.

Os trabalhadores das montadoras no Leste Europeu estão preocupados e muitos já perderam o emprego. Enquanto isso, os governos descobrem que aderir à União Europeia não é garantia de crescimento e enfrentam a primeira contração de seus PIBs desde suas independências, nos anos 90. A repercussão política é inevitável e governos já estão caindo.

“A situação é muito grave”, afirmou Eugen Jurzyca, diretor do Instituto para Reformas Sociais e Econômicas, uma das principais entidades de pesquisa da Eslováquia. Para ele, a crise no setor automotivo na região chega a ser irônica. Os países do Leste Europeu seguiram à risca o que lhes foi recomendado para aderir à UE: abriram suas economias ao comércio e investimentos e cortaram gastos públicos.

O problema é que a Europa Ocidental parou de comprar. O resultado foi um impacto imediato em países que não tinham relação com a crise. Se antes o bom desempenho da economia dependia da relação com Moscou e das políticas da Guerra Fria, hoje essa dependência está ligada às multinacionais do setor automotivo - 25% do PIB da Eslováquia é gerado pelo setor. Apenas a fábrica da VW é responsável por 15% do PIB do país. Na República Tcheca, o setor representa 20%.

Com a queda do comunismo e a separação entre tchecos e eslovacos, a região de Bratislava se transformou em um dos centros de produção de veículos para toda a Europa. Empresas de todo o mundo passaram a ter fábricas na região, para cortar custos e ficar ao lado de um dos maiores mercados do mundo: a União Européia.

E, de fato, enquanto a economia mundial cresceu, o setor automotivo foi bem e as exportações eslovacas deram um salto. Mas, com a crise, a Eslováquia está descobrindo que a “autodependência” é cruel. Com a crise, a demanda despencou na Europa. Agora, o país prepara-se para enfrentar o desemprego.

Na região de Bratislava, o clima é de tensão. Na Eslováquia, a exportações já tiveram uma queda forte e o superávit comercial mantido até 2008 se tornou déficit. O motivo, claro, foi a queda na venda de carros. A produção do setor caiu em 47% em janeiro, enquanto as exportações foram reduzidas em 30%.

Para o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, a recessão pode significar uma contração de 1% do PIB. Nos últimos sete anos, o país teve a maior média de crescimento da Europa. Em 2007, cresceu a taxas chinesas: 10,4%. No ano passado, o desempenho já caiu para 6,4%, diante da queda nas vendas de carros no último trimestre. Agora, as projeções são sombrias.

O pior impacto, porém, segundo analistas, será sentido nas empresas de autopeças, além de toda a economia criada em torno dessas multinacionais. Na maioria dos casos, são empresas locais, administradas por famílias. Nesses casos, seguro-desemprego é apenas uma ilusão no Leste Europeu.

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Subsídios não ajudam

Eslováquia - Por mais que os governos europeus estejam se esforçando, a estratégia de dar subsídios para consumidores trocarem de carro até agora não foi suficiente para tirar as montadoras da crise. Isso é o que dizem as multinacionais no Leste Europeu, que continuam sofrendo a queda nas vendas.

Como forma de tentar conter a queda nas vendas de veículos, países europeus adotam uma estratégia de dar ajuda financeira aos proprietários de carros usados que queriam trocá-los por novos.

Em março, a medida foi adotada na Alemanha, França, Espanha, Itália e em países do Leste Europeu. As vendas, que haviam despencado em dezembro, janeiro e fevereiro, deram sinais de uma retomada.

Na Alemanha, o governo gastará US$ 2 bilhões no plano. Cada consumidor ganha 2,5 mil se comprar um carro novo e abandonar o antigo. As vendas do Corsa triplicaram na Alemanha e trabalhadores na Espanha voltaram às fábricas. Na Itália, o subsídio é de 1,5 mil, e o consumidor pode ficar até com 5 mil se comprar um carro movido a energias alternativas.

Na Volkswagen, a percepção é de que os planos de ajuda não estão beneficiando a produção da fábrica na Eslováquia. Isso porque a produção está concentrada em carros de luxo. Grande parte dos consumidores atraídos pelo pacote de ajuda na Alemanha, França ou Itália estão optando por carros compactos.