Quem vê o prédio de quatro andares todo imponente na quadra 1 da rua Batista de Carvalho nem imagina quantas histórias há para contar sobre ele. Nada é muito simples no mundo dos negócios, e a Casa Sampaio não foge à regra.
Nascido em Piracicaba, José Ferraz Sampaio chegou a Bauru em 1923 e logo foi contratado como funcionário da Casa Lusitana, uma das lojas mais renomadas da cidade na época. José destacou-se em seu serviço, ganhou a confiança dos patrões e chegou a ser sócio da firma. Embora sua posição fosse boa na Lusitana, ele queria ter seu próprio empreendimento.
Em 1936, decidiu seguir seu sonho e entrou em negociação com Alcides Moreira, dono das Casas Moreira. O negócio foi fechado e no dia 1 de outubro do mesmo ano era inaugurada a Casa Sampaio, no lugar onde permanece até hoje. O estabelecimento era de secos e molhados, mas sempre teve como forte as ferragens.
Com sua experiência em vendas, aos poucos José conquistou os consumidores bauruenses. O movimento das vendas permitiu que ele comprasse o prédio onde funcionava a loja e, na década de 60, construísse o audacioso prédio de quatro andares para melhor atender sua clientela.
Mudança
Anos se passaram e José decidiu que o melhor a fazer na época era transformar o negócio em um supermercado. O Supermercado Sampaio, inaugurado no dia 3 em março de 1963, foi a primeira loja do gênero em Bauru e prosperou muito. Foi aberta inclusive uma filial na rua Azarias Leite.
No entanto, em 1974, José faleceu. Seus seis filhos assumiram os negócios, a ênfase no comércio de ferragens foi retomada, mas os desentendimentos se tornaram constantes. Juarez Sampaio decidiu então desligar-se da sociedade e abrir sua própria loja. Em 1988, ele inaugurou a Sampa em frente à loja dos irmãos.
Os estabelecimentos mantiveram-se como concorrentes por muitos anos, até que a Casa Sampaio foi fechada. Juarez viu neste momento a oportunidade de voltar para o prédio construído pelo pai. Depois de uma negociação, alugou o prédio e transferiu sua loja. Em seguida, voltou a adotar o nome Casa Sampaio e lá permanece até hoje.
Para Juarez, a loja representa a luta de toda uma vida. “Comecei com 12 anos na seção de pacotes. Hoje, tenho 65 anos e aqui estou. Por isso, acredito que é muito importante a gente saber o que a quer. Eu decidi ser comerciante. Depois, foi muita perseverança e dedicação para chegar até aqui.”
José Ferraz Sampaio Neto, filho de Juarez, não pretende deixar tanto esforço ser perdido no tempo. Ele vai continuar os negócios da família. “Trabalho com meu pai há um ano. Meu interesse surgiu quando comecei a faculdade de administração e percebi que poderia unir a teoria e a prática. Pretendo continuar por aqui”, diz.