Bauru interna mais pacientes com câncer que municípios de porte semelhante. Segundo informações do banco de dados do Sistema Único de Saúde (Datasus) de 2007, a cada 100 internações registradas na cidade, 9,3 eram de pacientes com neoplasias (tumores) - leia quadro nesta página. O percentual é maior em comparação a centros como Piracicaba e Jundiaí, onde a quantidade de habitantes é próxima.
Também está acima de cidades como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Campinas, além da própria Capital. No Estado de São Paulo, por exemplo, o percentual, no mesmo ano, foi de 6,1. Já a vizinha Jaú e o município de Rio Claro estão à frente. Os dados levam em conta o local de residência dos pacientes. Os números não indicam, no entanto, que em Bauru haja uma incidência maior da doença em relação a outras regiões, conforme avaliaram oncologistas consultados pela reportagem.
De acordo com eles, os percentuais abarcam vários fatores, como dificuldade de deslocamento dos pacientes, as circunstâncias do diagnóstico, a transferência dos portadores da doença para serviços médicos necessários durante o tratamento, além do trâmite burocrático referente ao registro do procedimento realizado também durante o tratamento.
CID-10
Neste último caso, por exemplo, se o paciente de câncer tiver uma pneumonia e for internado para tratá-la, a internação também será registrada como câncer na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), informa o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, José Getulio Martins Segalla.
O Datasus leva justamente em consideração o CID-10, um código utilizado para identificar doenças em documentos e estatísticas. É publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e usada globalmente para estatísticas de morbidade e de mortalidade. Como a avaliação é percentual, o sistema toma as cautelas necessárias para que o índice não chegue, por exemplo, a 120%.
“Tem cidade com cirurgião que opera mama, mas o hospital não tem credenciamento para oncologia. Ele põe o CID de câncer, mas se eu pegar outra tabela por tipo de internação, vai entrar como cirurgia não oncológica”, explica Segalla. De acordo com ele, uma outra resposta para o índice é a transferência de serviços. Se o paciente é internado numa unidade, mas faz quimioterapia em outra, por exemplo, o sistema pode computar duas internações. Num único centro completo, seria uma só.
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Ninguém sabe
Na esfera pública, ninguém se arrisca a analisar os dados do Datasus. Procurados pela reportagem, União, Estado e município atribuíram a responsabilidade às outras instâncias. A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, por exemplo, informou que embora a União disponibilize os dados, eles são informados pelos municípios, que teriam a incumbência de comentá-los.
Em Bauru, o poder público explicou que, por ser uma especialidade, caberia ao Estado a avaliação. A assessoria de imprensa da Secretaria do Estado de Saúde, por sua vez, remeteu ao ministério, que disponibilizou as informações.
Cardápio balanceado
O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) elaborou um cardápio balanceado, que ajuda no combate ao câncer. Ao respeitar as orientações de alimentação, peso e exercício, é possível prevenir em 30% a incidência de 12 tipos de tumores, diz estudo do Fundo Mundial de Pesquisas sobre Câncer com o Instituto Americano para a Pesquisa do Câncer.
A análise no Brasil considerou os cânceres de boca, laringe e faringe, esôfago, estômago, pulmão, pâncreas, vesícula biliar, fígado, rim, cólon, mama e útero. Se abranger todos os cânceres existentes, o índice de prevenção vai para 19%, se seguidas as indicações dos especialistas.
Para alertar a população e comemorar o Dia da Saúde e da Nutrição, na semana passada, o Icesp programou uma série de palestras para pacientes e acompanhantes no instituto. “O que mais tem provocado câncer são os maus hábitos da vida. Nos exercitamos pouco. Só andamos de carro, de elevador, não subimos pela escada. Antigamente, a mulher tinha que rachar a lenha e levá-la para casa, lavar roupa à mão”, comenta a oncologista Maura Valéria Ikoma ao referir-se a grande quantidade de câncer de mama e de cólon de útero.
De acordo com ela, de forma global, as pessoas fazem pouco exercício físico. “A gente sabe que exercício físico aumenta a imunidade contra o câncer. Comemos também muita carne vermelha, muito hormônio de boi, muita coisa gordurosa. Não tem nada muito natural. A gente come agrotóxico, respira agrotóxico e usa muito inseticida”, conclui.
O cardápio do Icesp pode ser conferido pelo site www.saude.sp.gov.br.