10 de julho de 2026
Geral

Volovelistas ganham dia municipal

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru é a capital nacional do vôo a vela e, hoje, pela primeira vez na história, os amantes e praticantes desse esporte são lembrados, ou seja, hoje é o Dia Municipal do Volovelista. As comemorações serão no dia 30, data em que o aeroclube da cidade completa 70 anos. O vôo a vela é um dos principais símbolos da cidade e atrai pessoas de todo o País, que chegam até o aeroclube em busca do sonho de voar e de sentir a liberdade proporcionada pelo planador.

A localização central no Estado de São Paulo, uma região relativamente plana e de clima quente e seco, faz de Bauru um lugar perfeito para o esporte, o que lhe rendeu o reconhecimento de “a capital nacional do vôo a vela”.

O instrutor chefe de vôo a vela Carlos Magno Montanholi Júnior explica que, para um planador subir e se manter no céu, ele precisa do calor das correntes de ar quente que se desprendem do chão e sobem, enquanto as frias descem. Outro fator que garantiu a cidade no topo do ranking é o conhecimento de um grupo de pilotos dos anos 40, que foi passado de geração a geração.

Em um vôo panorâmico, o volavelista de primeira viagem vai acompanhado de um instrutor. Antes, recebe explicação sobre o pára-quedas, como utilizar e uma aula básica sobre o painel e o funcionamento do velocímetro, altímetro, etc. Carlos Magno afirma que não há idade para voar. Mas para pilotar um aeroplano, é preciso se tornar um aluno da escola de aviação do aeroclube. Para tanto, o primeiro passo é consultar-se com um médico credenciado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ou do Hospital da Aeronáutica, em São Paulo, e ter 18 anos completos. A partir disso, a matrícula é feita e o aluno tem aulas teóricas e práticas com o planador. “A duração do curso depende da disponibilidade do aluno e da condição climática”, completa.

Bermudão, camiseta de manga longa, botina com meia e chapeuzinho “cata ovo”. Este é o típico jeito de se vestir dos volovelistas que praticam o vôo a vela por lazer, paixão ao esporte ou como aperfeiçoamento da arte da pilotagem. Além de saciar a vontade de voar, essa prática ainda permite que um piloto de avião aprimore suas técnicas.

“Decidi ter aulas de vôo porque considero a profissão de piloto fascinante. Desde pequeno eu tinha essa vontade. Comecei a voar aos 16 anos e, quando estou em um planador, me sinto liberto. É uma sensação tranqüilizante”, descreve o estudante de ciências aeronáuticas Fernando Valezi Ferreira.

Fernando não consegue imaginar como seria sua vida, hoje, longe do céu. A faculdade, feita na Instituição Toledo de Ensino (ITE), é complementada pelas aulas práticas da escola de aviação do aeroclube. “Lá, aprendo o teórico e aqui eu tenho a prática. Voar é uma sensação de liberdade”, diz.

Já para o instrutor de vôo e piloto Osvaldo Leite a maior gratificação é ver a emoção das pessoas que fazem seu primeiro vôo panorâmico. De acordo com ele, cerca de 15 pessoas, por semana, procuram o aeroclube para experimentar a emoção do vôo a vela. “O que mais me emociona é a reação das crianças. Elas ficam maravilhadas com a vista da cidade lá de cima”, conta.

A paixão pela liberdade de voar vem desde a infância para o zootecnista e piloto de planador Alex Bologna. O gosto pela aviação é tão grande que ele pretende abandonar a zootecnia para se dedicar à aviação. Quando está no céu, a liberdade se alia à tranqüilidade e à paz de espírito. Os problemas, Bologna deixa na terra. “Essa minha paixão está deixando de ser um hobby para se tornar profissão”.

História

O Aeroclube de Bauru foi fundado em 8 de abril de 1939. Além de ser reconhecida como celeiro de pilotos campeões de vôo a vela, a escola da aviação do aeroclube já formou milhares de pilotos de destaque nacional, celebridades como o coronel Ozires Silva, fundador da Embraer, ex-presidente da Petrobras e da Varig e ex-ministro da Infra-estrutura, e Marcos Pontes, primeiro brasileiro a participar de uma missão espacial.

Considerado um dos clubes com maior atividade aérea em todo Brasil, ele tem hoje 15 planadores em operação.

Desde 1949, o Aeroclube de Bauru ocupa o primeiro lugar do ranking nacional de vôo a vela, sendo um orgulho e uma marca esportiva para a cidade. Em 32 anos de campeonato, os pilotos do aeroclube ficaram 28 vezes em primeiro lugar no ranking nacional. A equipe de competições é chamada de “os imbatíveis” e é considerada uma espécie de “dream team” entre os esportistas do vôo a vela nacional. Isso se deve ao grande número de conquistas em competições nacionais e internacionais que os competidores trazem para o clube. Fonte: www. aeroclubebauru. com.br.

• Serviço

O vôo panorâmico custa R$100,00 e tem duração de 15 a 45 minutos, variando de acordo com as condições climáticas. Antes, o interessado deve agendar o passeio pelos telefones (14) 3234-7900, (14) 3223-1800 (14) 3227-6919. O aeroclube de Bauru fica na Alameda Dr. Octávio Brisolla, 19-100.