09 de julho de 2026
Regional

Reação à vacina pode ter causado morte de jovem

Por Wagner Carvalho | Colaborou José Maria Tomazela
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu - A morte de uma jovem de 20 anos em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), após tomar a vacina preventiva contra a febre amarela, assustou os moradores que vivem em alerta com diversos casos da doença registrados em cidades vizinhas.

O secretário de Saúde de Botucatu, Carlos Macharelli, disse ontem estar convencido de que a jovem Thaís Góes Silvestre, 20 anos, morreu por causa da reação da vacina. Segundo ele, não houve, até agora, nenhuma ocorrência da doença na cidade e a jovem não tinha viajado. De acordo com a família, Thaís tomou a vacina na última sexta-feira e logo começou a passar mal. A jovem foi levada ao Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu e faleceu anteontem. Os médicos disseram que ela apresentava os mesmos sintomas das pessoas que contraíram o vírus. O corpo da jovem foi sepultado ontem. A Secretaria da Saúde do Estado informou que a morte está sendo investigada e ainda não é possível vincular à vacina.

A Vigilância Epidemiológica investiga se o lote da vacina aplicada na vítima é o mesmo distribuído em Avaré, onde também houve um caso de reação.

O médico chefe do departamento de Doenças Tropicais do Hospital da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Carlos Magno Fortaleza, não descarta que a jovem possa ter contraído a doença, mas também é possível que ela tenha sofrido reações da vacina. Caso se confirme a febre amarela como causa, será a décima morte na região. De acordo com o médico, só quando o Instituto Adolfo Lutz divulgar os resultados dos exames será possível afirmar, com certeza, a causa da morte.

A Secretaria Estadual de Saúde segue protocolo conjunto com o Ministério da Saúde, que inclui exames laboratoriais para confirmar possíveis casos da doença. Alguns suspeitos estão sob investigação. Apesar do bloqueio pela vacinação, a doença continua se espalhando. Fortaleza explica que a população não precisa ter receio de tomar a vacina, já que os casos de reação acontecem, em média, um em cada dois milhões. Ele também afastou a possibilidade da jovem de Botucatu ter morrido por ter tomado a vacina por duas vezes dentro do período de 10 anos, prazo máximo de imunização. “Isso não existe. Se a pessoa tomou a vacina há alguns anos e não lembra se o prazo de imunização já expirou ou não, ela pode tomar outra dose tranqüilamente”.

Segundo o médico, pode haver complicações caso a duplicidade da vacina ocorra num curto espaço de tempo, dias ou até meses. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a vacina pode realmente causar problemas em quem não esteja apto a receber a imunização. Imunodeprimidos e pessoas em tratamento com quimioterapia ou radioterapia não devem tomar a vacina. Nesses casos, a vacinação é contra-indicada porque pode provocar reações graves, levando até mesmo à morte.

O médico recomenda que, os moradores das cidades fora do raio de 30 quilômetros de onde foi registrado um caso de febre amarela, procurem os postos de vacinação sem alarde. Nos lugares onde casos foram registrados e cidades vizinhas foi feita a vacinação preventiva nos moradores. A vacinação é essencial aos viajantes, pescadores, turistas e ecoturistas que pretendem passar por áreas de risco, principalmente na zona rural.

O chefe do Departamento de Doenças Tropicais da Unesp orientou ainda que quem reside em outras cidades, mas irá viajar para a região de Botucatu tome a vacina com antecedência, já que o medicamento só apresenta a eficácia desejada a partir do décimo dia após a imunização. “Não são todas as pessoas que podem ser vacinadas. Gestantes, crianças até seis meses, transplantados ou que tenham doenças que afetam a o sistema imunológico não devem receber a vacinação”.

Fortaleza lembra que não existe um tratamento certo para quem contrai a febre amarela. De acordo com ele, na primeira semana após a doença ser diagnosticada, a pessoa recebe acompanhamento médico para que se evite que órgãos vitais, como os rins, deixem de funcionar. Na segunda semana é que o sistema imunológico começa a vencer a doença.

Foram confirmados no Estado 22 casos da doença e nove mortes. Em 2008, duas pessoas morreram. A situação mais grave é em Piraju, onde ocorreram 11 casos com seis mortes. Sarutaiá teve seis doentes e uma morte; Itatinga três casos e uma morte; Avaré dois doentes e Buri uma morte. A secretaria vai estender a vacinação a 14 municípios da região: Campina do Monte Alegre, Capão Bonito, Guapira, Guareí, Itaberá, Itapeva, Itapetininga, Itararé, Nova Campina, Ribeirão Branco, Ribeirão Grande, Riversul, São Miguel Arcanjo e Taquarivaí.